Farc dizem que EUA vão intervir se negocições de paz fracassarem
Bogotá, 19 (AE-AP) - A intervenção militar na Colômbia é o último recurso dos Estados Unidos em caso das negociações de paz com a guerrilha fracassarem, afirmou um porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Não tememos uma intervenção (dos EUA), pois estamos alertas e prevemos essa possibilidade", disse ontem (18) Simón Trinidad, comandante do bloco Caribe das Farcs e integrante da comissão de sete membros que irão examinar os temas da agenda de negociação de paz. O Departamento do Estado norte-americano reiterou nessa quarta-feira (18) que os Estados Unidos não pensam em intervir na Colômbia, mas que pretende ajudar o país a "resolver as múltiplas crises" que sofre pela ação do narcotráfico, da guerrilha e da recessão econômica. A Colômbia pediu US$ 1 milhão aos EUA para sustentar sua guerra contra o narcotráfico e a guerrilha nos próximos dois anos e respaldo perante o Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter um crédito de US$ 3 milhões. Simultâneamente, Equador, Peru e Venezuela, países vizinhos da Colômbia, através de seus embaixadores em Bogotá, descartaram qualquer possibilidade de interferência nos assuntos internos colombianos. No entanto, eles expressaram profunda preocupação em relação a atual crise por que passa o país. O embaixador venezuelano em Bogotá disse ontem (18) numa entrevista ao canal RCN que, apesar de seu país concentrar 30 mil homens na fronteira, a população sofre com os sequestros e atos de extorsão praticados pela guerrilha colombiana. Nos últimos dez anos, os venezuelanos representaram os 25% de estrangeiros sequestrados pelos rebeldes. "A violência colombiana já ultrapassou a fronteira", assegurou o embaixador venezuelano. Ele acrescentou que, "para resguardar a segurança de seu território, a Venezuela está, sim, disposta a falar com a guerrilha", apesar dos pedidos contrários do governo colombiano. O embaixador equatoriano Fernando Ribadeneira afirmou que o Equador "não pretende ser interlocutor das Farc", porque as negociações de paz são responsabilidade exclusiva do governo colombiano e da guerrilha. "Observamos com preocupação o desenrolar dos acontecimentos na Colômbia e não somos indiferentes. Porém, não vamos intervir em assuntos internos desse país", disse. Também o diplomata peruano, Alejandro Gordillo, assegurou que seu país "não tem a menor intenção de intrometer-se nos assuntos internos da Colômbia.





