Bogotá, 05 (AE-ANSA) - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), acusadas de ter vínculos com o narcotráfico, colaboram com as Nações Unidas no desenvolvimento de um programa de substituição de cultivos de coca e papoula pela plantação de produtos lícitos.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (05) por Klayus Nyholm, representante do Programa da ONU para a Fiscalização de Drogas. "Isto começou e a reação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia é muito positiva até agora", expressou Nyholm.
No entanto, coincidiram acusações de que as FARC cobram "peagem" para deixar passar os carregamentos de folhas de coca destinadas ao narcotráfico. "Sabem que isso é mal, mas precisam de dinheiro", disse o delegado da ONU.
Tanto o governo colombiano, quanto alguns representantes civis e militares dos Estados Unidos, têm dito que as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN), assim como os paramilitares de direita, recebem anualmente do narcotráfico somas entre US$ 250 milhões e US$ 600 milhões.
Os insurgentes cobram pela proteção de cultivos ilícitos e laboratórios processadores de cocaína e heroína, pelo uso de pistas clandestinas para aterrissagem e pela passagem de insumos químicos e da droga já elaborada, segundo informes militares.
Mas o programa "Plante" da ONU busca eliminar em 50% os cultivos ilícitos em grande parte dos 42.000 quilômetros quadrados da zona desmilitarizada atualmente sob controle das FARC e usada para os diálogos de paz com o governo.
O programa também compreende obras de infra-estrutura e requer investimento de US$ 6 milhões, mas Nyholm manifestou não é dado dinheiro aos insurgentes, mas financiamentos do plano são feitos em conjunto com as autoridades civis da região.
"As FARC estão apoiando o projeto", mas devido ao caráter político da guerrilha "eles têm algumas dificuldades internas para manejar este programa".

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