São Paulo, 13 (AE) - A Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e a Copersucar estão investindo US$ 6 milhões num projeto que visa a sequenciar 50 mil genes da cana-de-açúcar. "Quanto mais se conhecer a genética da planta, melhor será o controle da produção da cana", disse o coordenador do Projeto Genoma-Cana, Paulo Arruda. Na prática, os dados dessa pesquisa, iniciada esta semana, serão usados para criar uma espécie mais resistente aos parasitas, evitando a necessidade de agrotóxicos.
A vantagem de realizar um estudo como esse no País é que os dados obtidos serão relacionados aos interesses nacionais, segundo o diretor-científico da Fapesp, José Fernando Perez. "Há pesquisas internacionais que estudam o genoma do milho, do arroz, da soja e do trigo", explicou Perez, enfatizando a importância econômica da cana-de-açúcar para o Brasil.
Antes de o projeto começar, Arruda montou um banco nacional de dados sobre genes, relacionando cada sequência de ácido desoxirribonucléico (DNA) à produção de uma proteína. Com isso, será possível descobrir a função de cada gene. Arruda prevê que haverá muitas sequências que não estão no banco de dados. Nesses casos, ele informou que, num primeiro momento, as descobertas serão usadas localmente, beneficiando os produtores nacionais de cana. Depois, cada nova sequência será inserida no Gene Bank, que contém dados de todos os programas de mapeamento genético no mundo.
O processo de mapeamento genético começa com a leitura do DNA pelo ácido ribonucléico (RNA) mensageiro, uma substância que contém todas as informações necessárias para identificar a função de cada gene. No entanto, trata-se de uma molécula muito instável, o que dificulta o uso em pesquisas. Por isso, o sequenciamento será feito com DNAs complementares (DNAc), que são uma cópia estável do RNA mensageiro. Estima-se que o genoma da cana tenha cerca de 50 mil a 100 mil genes. O projeto usará uma técnica-padrão, chamada Etiquetas de Sequências Expressas (ETSs), que permite a identificação somente dos genes que formam proteínas. O Genoma-Cana, que será realizado com a ajuda de cerca de 30 laboratórios do Estado, pretende sequenciar, em três anos, 300 mil DNAcs. Como não há uma forma de identificar apenas os DNAcs que apresentam atividade significativa na cana-de açúcar, os pesquisadores terão de mapear 300 mil para conseguir descobrir os 50 mil mais importantes.

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