Fanáticos dizem que mataram para ser arrebatados ao céu
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sexta-feira, 27 de novembro de 1998
Agência Estado e Agência Folha 
Os supostos integrantes da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil, que mataram a pauladas seis pessoas no seringal Larvas, em Tarauacá, no Acre, disseram à polícia ontem que fizeram isso para serem arrebatados ao céu depois de aniquilar os inimigos de Deus. Quando começaram as mortes os líderes do grupo estavam em jejum havia 15 dias. Após matarem as pessoas, todos ficaram nus e foram até um morro, de onde, segundo Francisco Bezerra de Moraes, o pastor Totó, todos seriam arrebatados.
O grupo é liderado pelo seringueiro Moraes e sua mulher, Raimunda Bernardo Gomes, presos em Tarauacá, a 466 quilômetros de Rio Branco. Um dos seguidores, Adalberto Faveiro de Souza, que matou seus filhos Samue e Israel, de três e quatro anos, também já está preso.
O pastor e presidente da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil, o canadense Bennie Demerchant, disse ontem em São Paulo não reconhecer os nomes dos acusados como pertencentes à sua comunidade. Apesar de não reconhecer o grupo acusado de assassinato, ele disse que houve missões na região e que alguns dos que foram lá podem ter ficado.
O pastor divulgou ontem uma nota de condolências às famílias das vítimas e de repúdio à atitude do grupo de Tarauacá, dizendo ainda que repudia veementemente o uso de seu nome (o da igreja) pela imprensa sem que tenham sido apurados os verdadeiros fatos.
Segundo Demerchant, os pastores de sua igreja precisam de um tempo de seis anos até receberem a ordem. A Igreja Pentecostal Unidos existe em 132 países, segundo o pastor, e está no Brasil com missões desde 1955. Nós somos contra todo tipo de violência, somos até contra o aborto, disse o pastor.
Totó fora nomeado pastor há quase um mês por seu antecessor, China Alfontes Costa Leite, que há sete anos havia levado a doutrina para o seringal Larvas, onde tinha cerca de 40 seguidores. Segundo a polícia, Totó se comunicava com os seguidores através do vento. Ele falava ao léu e as palavras eram levadas pela brisa até os seguidores, que matavam a pauladas os colegas de igreja considerados desobedientes e possuídos pelo demônio.
Os psiquiatras Carlos Baldner e Joaquim Carvalho estão em Tarauacá ouvindo os integrantes da seita. Segundo eles, os líderes da Igreja Pentecostal Unida têm a mesma personalidade do motoboy Francisco Pereira da Silva, o maníaco do parque, que seduzia mulheres e depois as matava no Parque do Estado, em São Paulo.


