Os familiares dos mortos no acidente aéreo ocorrido sábado à noite, em São Paulo, com o bimotor da agropecuária J.Caetano de Maringá, vivem agora o drama da espera da liberação dos corpos. O Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo divulgou ontem um prazo máximo de 10 dias para o fim do trabalho de identificação. Dos sete mortos, quatro já foram identificados através da impressão digital. Até o final da tarde de ontem, o prefeito em exercício João ‘‘Jonh’’ Alves Correa (PMDB) não havia definido se decretava luto oficial no município.
Por causa da tragédia, foi transferida de hoje para quinta-feira a diplomação dos vereadores, prefeito e vice eleitos em Maringá, que seria realizada na Câmara Municipal. O local está reservado para o velório. Funcionários já recepcionavam ontem coroas de flores. Segundo o assessor da família Name, jornalista Angelo Rigon, quando os caixões chegarem à cidade, a família deve fazer uma cerimônia de despedida por uma hora na Câmara. O enterro será realizado no Cemitério Municipal.
João Isidoro Andrade, 51 anos, será enterrado na capital de São Paulo, onde vivem dois filhos do seu primeiro casamento. Os cinco ocupantes da aeronave são de famílias tradicionais de Maringá. O mais conhecido era o empresário Silvio Name Junior, candidato a prefeito pelo PMDB na última eleição. A viúva de Name Junior, Márcia Ribeiro, estava ontem bastante abalada. Além do marido, ela perdeu no acidente o pai Márcio Lerro Ribeiro, 57, e os irmãos Márcio Ribeiro Neto, 27, e Gabriela Ribeiro, 29, casada com João Isidoro.
Os tripulantes José Traspadini e Geraldo Antonio da Silva também serão enterrados em Maringá. O IML de São Paulo não divulgou os nomes dos corpos identificados, mas segundo amigos de familiares em Maringá, dos corpos quatro reconhecidos, dois são de João e Gabriela e outro de um dos pilotos. De acordo com a assessoria da família Name, o IML só vai determinar a liberação quando todos os corpos forem identificados.
Dentistas das vítimas, coordenados pelo profissional Laurindo Furquim, continuavam ontem colaborando com o IML no reconhecimento de arcadas dentárias, através de imagens via Internet. ‘‘É grande a angústia dos familiares por causa da situação que, além da própria tragédia, envolve agora a demora na identificação’’, disse o assessor. Conforme o diretor-geral do IML, Carlos Alberto Souza Coelho, ‘‘o estado dos corpos é o pior já verificado em acidentes aéreos atendidos na capital de São Paulo’’.
Rigon afirmou ontem que a morte de Name Junior representa para Maringá uma perda política. ‘‘Foi o único nome novo que surgiu na cidade nos últimos tempos’’, disse Rigon. Name Junior provocou um racha no PMDB local, mas conquistou a simpatia do senador Roberto Requião. Durante a campanha, Name Junior, foi o único político a questionar Gianoto publicamente sobre o enriquecimento do prefeito e do ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi.

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