Famílias vão em
busca de trabalho
em outros estados
A família de Maria Tereza Joaquim, 60 anos, bóia-fria do distrito de Santa Zélia, em Astorga, é a própria imagem de um dos problemas vividos pelo município. Todos os anos, grande parte de sua família vai para Bauru (SP) trabalhar na lavoura de café. ‘‘Aqui não encontramos serviço’’, ressalta.
Dona Maria conta que muitos de seus netos nasceram no interior paulista. ‘‘Mas graças a Deus, mesmo com todos os problemas de dinheiro, nunca perdi nenhum’’, afirma, mesmo sem saber ao certo quantos netos tem de seus 12 filhos. ‘‘Perco as contas’’, esquiva-se.
O filho de dona Maria, Valdenir Joaquim, 26 anos, diz que quando consegue serviço de bóia-fria na região de Astorga a diária não ultrapassa R$ 8,00. Ele critica o sistema de saúde e lembra que já foi obrigado a fugir de um hospital da cidade porque não tinha R$ 10,00 para pagar a taxa cobrada pelo atendimento. ‘‘Eles cobram muito mais do que às vezes consigo ganhar por dia’’.
Ele tem três filhos com a mulher, Sirlene Rodrigues da Silva, 20 anos. O mais velho está com 4 anos e o caçula com 2. Conforme Joaquim, há dias a família está sem serviço. Para dona Maria, pior que a própria falta de dinheiro é a ausência de perspectivas. ‘‘Nos últimos dias não estou conseguindo trabalho e nem para a minha dor nas costas. Isso sem falar na falta de condições de comprar até remédio’’.

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