Famílias urbanizam terreno invadido
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2006
Reportagem Local 
Cansadas de esperar por um posicionamento por parte da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), as famílias residentes há duas semanas em um terreno particular do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte) resolveram elas próprias iniciar a urbanização da área invadida.
Ontem pela manhã, vizinhos do terreno foram surpreendidos pelo barulho de um trator, que trabalhava na abertura de ruas e na divisão dos lotes. A máquina só interrompeu o serviço depois de uma visita da Polícia Militar (PM), que pediu a retirada do equipamento.
Instalados no terreno de cerca de 900 metros quadrados há 15 dias, as 80 famílias esperam pela negociação entre a Cohab e os donos da área. De acordo com o presidente da Associação de Moradores da invasão, Ailton Natalino da Silva Souza, a esperança dos moradores é de que a companhia compre o terreno e repasse a área por meio de um financiamento.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, no entanto, já adiantou que a companhia não tem recursos para a compra do terreno e que, ainda assim, a fila de espera por financiamentos - atualmente com cerca de 14 mil nomes - seria respeitada. ''Como está demorando, resolvemos abrir as ruas e começar a organizar os lotes'', explicou.
Antes da chegada da Polícia, os moradores já haviam demarcado o terreno e iniciado a abertura de três vias. Os lotes seriam divididos em partes de 150 metros quadrados. ''Também queríamos limpar isso aqui, que está muito sujo. Matamos uma cobra coral hoje (ontem)'', contou um dos moradores. Pelo aluguel do trator, que trabalhou das 10 horas ao meio-dia, as famílias pagaram R$ 75,00 por hora.
Os barracos, feitos com pedaços de madeira e lonas, já abrigam cerca de 300 crianças. Não há saneamento, luz ou água potável para atender às famílias, que estão sendo ajudadas por vizinhos e pela comunidade da Igreja do bairro. Segundo Souza, há três mulheres grávidas e o grupo já enfrenta os primeiros surtos de diarréia. Inicialmente invadido somente por moradores do Jardim Marieta (Zona Norte), o terreno já abriga famílias de pelo menos mais quatro bairros da região, em busca de um pedaço de terra ou simplesmente fugindo da inadimplência.
Ontem à tarde, em uma reunião realizada na Cohab, representantes da associação ouviram do próprio presidente da companhia que a possibilidade de desapropriação está descartada. ''Ele pediam uma posição da Cohab, e nossa posição é essa. Essas famílias terão de fazer suas inscrições na fila de finaciamento e aguardar. Não podemos deixar 14 mil famílias de lado e privilegiar uma ocupação'', argumentou Afonseca.
A liderança da ocupação deve nos próximos dias se reunir com o proprietário do terreno e discutir algumas alternativas ventiladas durante o encontro de ontem à tarde. Afonseca não quis adiantar o conteúdo da conversa. ''A Cohab não pode fazer nada. O problema tem de ser revolvido entre os invasores e o dono do terreno'', afirmou.


