Famílias suspeitam de outro funcionário
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Agência Estado 
Pelo menos mais um funcionário do Hospital Municipal Salgado Filho pode estar envolvido com a máfia das funerárias. A denúncia foi feita ontem por familiares de pessoas que morreram no hospital nos últimos quatro meses e podem ter sido vítimas do auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, que confessou ter matado cinco pacientes. De acordo com o depoimento de parentes, um funcionário do necrotério chamado Pedro seria o contato entre as funerárias e os familiares dos mortos.
Cerca de cem pessoas que tiveram parentes mortos no Salgado Filho estiveram ontem no hospital em busca de informações sobre a indenização que a Prefeitura do Rio pretende dar às famílias de pacientes que tenham sido vítimas de Izidoro. Maria de São José Correia, de 61 anos, cuja mãe, Capitulina Correia, morreu no Salgado Filho no dia 3 de fevereiro, mostrou um cartão da funerária Frei Rogério onde estava anotado a caneta o nome Pedro e o número de telefone do hospital.
Vania da Costa Miranda também mostrou um cartão da Funerária Interlagos, que lhe teria sido entregue por um funcionário do necrotério do hospital que tratou do enterro de sua irmã Maria Helena. Todo mundo sabe que tem gente de funerária aqui dentro, disse Cleuza Maria Afonso Silva, de 46 anos. O padrasto dela, Umberto Bocco, de 98 anos, morreu de parada cardíaca no dia 6 de abril. Cleuza contou que foi o próprio Édson quem lhe comunicou a morte de Bocco. Ele disse que procurasse um outro funcionário do hospital em nome dele que me arranjaria funerária, contou Cleuza.
Anderson Aquino dos Santos contou história semelhante. A irmã dele, Andréia Aquino dos Santos, de 29 anos, foi internada no dia 25 de março com suspeita de pneumonia e morreu no dia seguinte. Ela estava bem, conversando, e, de repente, estava morta. Segundo Anderson, uma pessoa que se identificou como funcionária do hospital foi até sua casa no dia 26 para comunicar-lhe a morte de sua irmã e disse que tinha convênio com uma funerária e poderia cuidar dos detalhes do enterro.
A cobradora de ônibus Lacyr Guimarães Pereira, de 42 anos, informou que um funcionário do necrotério do hospital chamado Pedro foi quem negociou com ela os valores para o enterro de seu filho, Reinaldo Guimarães Pereira, de 23 anos, morto no dia 27 de abril.
O diretor do hospital, Flávio Adolpho da Silveira, pediu às pessoas que levem as denúncias à polícia para que o assunto seja investigado. Ele admitiu ser difícil ter controle sobre as atividades dos 1.700 funcionários. O prefeito Luiz Paulo Conde (PFL) disse ontem que as funerárias envolvidas na máfia podem ser identificadas com a ajuda das famílias dos pacientes mortos. Não podemos dizer de quantas mortes ele participou porque as injeções de potássio não são verificáveis, mas o rastreamento das funerárias pode ser feito.
O prefeito reconheceu a existência de pessoas que ganham comissões nas funerárias e informou que pretende estudar uma forma de resolver o problema. Conde reuniu-se ontem à tarde com os procuradores do município para determinar os critérios de concessão das indenizações.


