Famílias sofrem com demora
Londrina - ''Ele nunca mais foi o mesmo. Esses dez anos foram uma tortura'', diz Antonio Gomes Pereira, sobre a acusação de homicídio doloso a qual o filho respondia. Em março de 2002, Fabio Aparecido Gomes Pereira deu um tiro no colega de trabalho quando ambos estavam de vigia em uma fazenda no Patrimônio Regina (Zona Sul de Londrina). Ele alega que o disparo foi acidental. A promotoria, no entanto, argumentava que as provas eram muito frágeis para essa conclusão.
Quase toda a família estava presente no julgamento. Todos aguardavam a decisão que poderia mudar o rumo da vida deles, principalmente do acusado. ''Eu sinto a morte do rapaz como se tivesse sido do meu filho; sofremos junto com a família. Ele está aqui com a gente, mas emocionalmente não conseguiu se recuperar'', revela o pai. Célia Martins Pereira, esposa de Fabio, conta ainda que o marido nunca mais quis trabalhar como vigia.
Do outro lado, sozinha, a viúva Luzia das Graças Oliveira Almeida diz que acredita na justiça divina. ''Não sei se foi apenas um acidente mesmo. Depois de todo esse tempo, entreguei nas mãos de Deus.'' Hoje, com 40 anos, Luzia lembra que foram anos angustiantes à espera do julgamento. ''Fiquei sozinha com três crianças pequenas. Trabalhava de diarista, mas quem sustentava a casa era meu marido. A decisão não vai mudar nossa vida. Porém, vou ficar mais tranquila.''
Os filhos preferiram não acompanhar o julgamento. Segundo ela, não queriam reviver a história de novo. O réu foi condenado a um ano por homicídio culposo, a ser cumprido em regime aberto.(M.T.)





