Famílias sem-terra ocupam fazenda no MS
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
A Fazenda Barra Mansa, com mais de 20 mil hectares, propriedade de uma família portuguesa que mora naquele país, foi ocupada, ontem, durante a madrugada, por um grupo de sem-terra, coordenados pela Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagri). O imóvel, localizado no município de Rio Brilhante, a 155 quilômetros de Campo Grande, sudoeste do Estado, foi ocupado inicialmente por 90 famílias, porém, a expectativa é que até o início da noite de hoje pelo menos quatro mil famílias já estejam no local.
Os líderes da invasão disseram que, segundo levantamentos que estão sendo feitos há quatro meses, a fazenda está dividida em quatro áreas que são arrendadas para produtores rurais que não estão pagando o arrendamento. Eles garantem que no mínimo há 20 anos essa situação persiste. Além disso, não há documentos nos cartórios de imóveis e no próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmando a posse dos 20 mil hectares à portuguesa, mas no máximo cinco mil. Por causa disso, alegam, decidiram invadir a área para pressionar o Incra a vistoriar a fazenda. Os técnicos do instituto, porém lembram que as vistorias em terras invadidas estão proibidas.Os sem-terra já iniciaram o plantio de milho, mandioca e feijão para garantir a subsistência. As 90 famílias que estão no local saíram de acampamentos montados nas margens das rodovias que cortam os municípios de Rio Brilhante e Maracaju. Neste final de semana, aguardam reforços procedentes de Três Lagoas, Bataguassu e Ivinhema.
Segundo o presidente da Fetagri, Geraldo Teixeira de Almeida, o fato de o Incra não vistoriar fazendas invadidas não vai impedir as ocupações que começarão a aumentar a partir do próximo mês com o objetivo de elevar a meta do órgão de assentamento este ano de cerca de 3.800 famílias para pelo menos cinco mil.
Almeida disse que, segundo dados do Departamento de Colonização de Mato Grosso do Sul, existem mais de 90 mil hectares de terras devolutas no Estado, que podem ser transformadas em assentamentos para os sem-terra. Além das terras do governo, existem os chamados excessos de área que estariam sendo indevidamente explorados pelos fazendeiros. De acordo com ele, há fazendas registradas nos cartórios de imóveis com 3.500 hectares, mas que na prática, chegam a ter 12 mil hectares. O fato, disse, estaria sendo verificado pelo Incra.


