Maceió, 10 (AE) - Embora tenham anunciado que pretendiam resistir a ordem de despejo, ameaçando até mesmo enfrentar a polícia, trabalhdores rurais acampados no Pólo Industrial de Marechal Deodoro, a 32 quilômetros de Maceió, decidiram desocupar pacificamente a área, hoje à tarde. Durante toda a manhã, o clima no local esteve tenso. Cerca de 80 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), fortemente armados, foram deslocados para a operação.
Após desocuparem a área, as 60 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) se deslocaram para as proximidades da ponte Divaldo Suruagy, onde permanecerão acampadas até que o governo atenda suas reivindicações. Além da Polícia Militar, uma comissão dos Direitos Humanos e a liderança do MST acompanharam a desocupação. Segundo informações do tenente-coronel Brito, comandante do Bope, após a chegada da polícia, os sem-terra solicitaram prazo até o final da tarde para desarmarem seus barracos. "Graças a Deus, não houve confronto e os manifestantes resolveram deixar o local pacificamente", disse Brito.
A decisão de desocupar a área pertencente a Companhia de Desenvolvimento de Alagoas (Codeal) deu-se após o oficial de Justiça de Marechal Deodoro, Ovídio Souto Galvão, entregar para a liderança do movimento uma liminar expedida pelo juiz Léo Denisson Bezerra de Almeida, determinando a reintegração de posse do terreno. O presidente do Instituto de Terras de Alagoas
(Iteral), Roberto Paiva, ofereceu aos trabalhadores uma área do governo localizada no município de Delmiro Gouveia, distante 377 quilômetros de Maceió.
A proposta não foi aceita pelos manifestantes sob a alegação de que no local já estavam acampados vários trabalhadores. "Vamos permanecer próximo da ponte Divaldo Suruagy até que nossas reivindicações sejam atendidas", disse Marcos Antônio (Marron), líder do movimento em Alagoas.

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