Paris - A localização dos destroços do voo AF-447 no Oceano Atlântico provocou ao mesmo tempo esperança e dor entre parentes de vítimas francesas. Para muitos, a esperança é de que, enfim, a verdade sobre o acidente seja conhecida. Por outro lado, para outros parentes as buscas ao Airbus A330 representa também a reabertura do processo de luto e a difícil perspectiva de lidar com a identificação dos corpos e com os sepultamentos.
Essas sensações foram transmitidas por parentes de vítimas que acompanharam, na sede do BEA, no aeroporto de Le Bourget, periferia de Paris, a entrevista coletiva sobre a localização dos destroços. Ao término na conferência, todos deixaram claro que lidar com o tema ainda é um peso constante, mesmo 21 meses após o desastre.
Jean-Baptiste Audousset, presidente da associação Ajuda Mútua e Solidariedade, que reagrupa famílias de vítimas, disse que a localização dos destroços reforça uma expectativa de muitos parentes: a da descoberta das causas e a punição dos responsáveis por eventuais falhas mecânicas e eletrônicas. ''É importante para as famílias saber como nossos parentes e próximos nos deixaram. Mas é importante também tirar as lições desse episódio e, sobretudo, impedir que tragédias como esses se reproduzam no futuro'', reiterou Audousset.
Gwenola Roger, também familiar de vítima, se disse surpresa com o sucesso das buscas e satisfeita com a perspectiva de entender as causas da tragédia. ''A investigação deu um passo de gigante. É uma pena que os trabalhos de busca dos destroços só vão começar em um mês, mas esperamos que eles possam ajudar a descobrir a verdade e aumentar a segurança aérea.'' Para ela, também é importante saber como foram os últimos minutos de vida dos passageiros, de forma a ter uma ideia do que viveram e sentiram. ''É uma nova etapa, muito dolorosa, que nos espera. Não era um luto fácil, porque não sabíamos o que tinha acontecido. Agora encontramos o avião, e há corpos dentro. É uma nova dor.''
Já Robert Soulas, pai de uma jovem vítima e genro de outro, também valoriza a descoberta, mas diz que preferiria que o casal permaneça junto no fundo do mar do que localizar apenas um dos dois corpos. ''Haverá um período de identificação que será muito doloroso para as famílias. É um traumatismo que se abre novamente'', disse. ''Por dois anos tentamos lidar com essa ausência. Agora, teremos de lidar com os corpos. É muito doloroso.''
Recuperação - Os trabalhos para a recuperação dos restos humanos encontrados nos destroços do voo 447 devem ser iniciados em cerca de um mês, segundo informações dos investigadores que trabalham nas buscas. O avião, que fazia o trajeto entre Rio e Paris, caiu na noite de 31 de maio de 2009 com 228 pessoas a bordo.

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