Paulo Pegoraro
De Cascavel
Depois de horas de conflito, na sexta-feira, entre ‘‘seguranças’’ que usavam armas de grosso calibre e sem-terra, armados com facões e foices, a situação na Fazenda São Domingos, em Cascavel, ainda era de tensão, ontem. As cerca de 500 famílias (segundo os sem-terra) tratavam de consolidar a invasão. Instaladas em um extremo da São Domingos, de 500 alqueires, elas estavam sendo vigiadas a distância pelos homens armados, apontados como ‘‘pistoleiros’’, ou ‘‘jagunços’’, contratados por donos de fazendas vizinhas – temerosos de que suas próprias terras fossem invadidas.
A fazenda é de propriedade de Maria Elisa Festugatto, dona de outra, contígua, a Refopas, de 554 alqueires, invadida há 3 meses por outras mil famílias. Originalmente, as terras compunham um grande latifúndio, de uma empresa madeireira e agropecuária da família Festugatto. A proprietária sustenta que suas terras são produtivas, divididas entre agricultura e reflorestamento, mas os sem-terra dizem não ter encontrado áreas de cultivo, apenas ‘‘capoeirão’’ e matas secundárias, segundo Lucimara de Andrade, 19 anos, uma das coordenadoras do que classifica como ‘‘ocupação’’ feita anteontem.
Fazendeiros que estavam junto com os ‘‘seguranças’’ no conflito disseram que reagiram ao que seria uma ‘‘tentativa’’ dos sem-terra de ocupar suas propriedades, espalhadas ao longo da margem de uma estrada, em cujo lado oposto eles erguiam barracos. Além disto, disseram que a maior parte das fazendas da área é de propriedades de herdeiros diretos ou indiretos do pioneiro Renato Festugatto. ‘‘Não suportamos mais estas invasões’’, disse um deles, Orlando Gomes, casado com uma neta de Renato, que na sexta-feira era o mais irado com a presença da imprensa no local, registrando as cenas de violência.
Ao lado de homens armados e encapuzados, ele chegou a impedir a passagem de jornalistas e fotógrafos por uma estrada, para que pudessem se aproximar mais do local onde estavam os sem-terra. Um dos encapuzados investiu contra o cinegrafista Davi Ferreira da Silva, 27 anos, da TV Tarobá, atingindo-o com coronhadas de uma espingarda calibre 12, provocando ferimentos, tentando impedir que fizesse imagens. Ele e o repórter Reinaldo Rocha acabaram sendo ‘‘salvos’’ pelos sem-terra e só deixaram o local no final da tarde, escoltados por uma patrulha da PM, porque temiam novo ataque dos ‘‘jagunços’’. Davi foi à Polícia e registrou queixa de lesões corporais.

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