Um efetivo de 162 homens da Polícia Militar (PM) foi deslocado, ontem, a Tamarana (62 km ao sul de Londrina) para acompanhar a reintegração de posse da Fazenda Tamoio, ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) há seis meses. A ordem judicial foi expedida há quase um mês, mas só agora o Estado deu aval para cumprimento.
Cerca de 25 famílias estavam acampadas na área, de acordo com um dos representantes do MST, Roberto Aparecido de Assis. A retirada começou por volta das 9 horas e prosseguiu à tarde sem incidentes. Os trabalhadores desmontaram as barracas e carregaram vários caminhões com móveis e pertences. Eles retornariam ainda ontem à localidade conhecida como ''Serraria'', às margens da estrada rural de Tamarana, ocupada há cerca de um ano e meio pelo MST. Assis declarou que o movimento consentiu em deixar a fazenda, mas destacou que as famílias continuam aguardando a desapropriação da área.
''Nunca existiu invasão aqui, foi uma ocupação pacífica. E se o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) não fosse tão burocrático a fazenda teria sido desapropriada, e o governo não precisaria jogar todo esse dinheiro fora com a reintegração de posse'', afirmou Assis. Ele explicou que os trabalhadores vêm mantendo diálogo constante com o proprietário da fazenda, o engenheiro de Maringá José Valdir Bascarin, que já confirmou seu interesse em ''vender'' a propriedade para o Incra.
A negociação está esbarrando no conflito entre o valor pedido por Bascarin e aquele oferecido pelo Incra. De acordo com o imobiliarista que representa o proprietário, Marcos de Lúcio, a fazenda de 113 alqueires foi ofertada por R$ 1,3 milhão, mas o Incra quer pagar quase 40% a menos pela desapropriação. ''A fazenda é produtiva. Temos 50 alqueires ocupados com lavouras e o restante com gado. Mas o proprietário aceitou negociar e até baixou o preço'', disse Lúcio.
Outro representante do MST, Vanderlei Valentim dos Santos, destacou que as famílias se iludiram com o compromisso assumido pelo fazendeiro de não pedir a reintegração de posse até que o Incra fizesse uma nova vistoria na área. ''O proprietário nos deu aval para ocupar a fazenda. Já havíamos até preparado a área para plantio de milho, arroz e feijão, com consentimento do Incra'', garantiu. Santos desmentiu a informação - prestada por Lúcio - de que os sem-terra teriam abatido dez cabeças de gado. ''O próprio dono nos doou uma cabeça e depois retirou o restante do gado da fazenda. Estamos sobrevivendo de cestas básicas'', acrescentou.
A reintegração de posse foi decretada pelo juiz da 5 Vara Cível de Londrina, Alberto Júnior Velloso, no dia 24 de agosto. A ordem judicial demorou a ser cumprida porque, de acordo com o oficial de Justiça Francisco Malaquias de Souza, a reintegração só pode ser liberada com a autorização de uma comissão do governo estadual.

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