Famílias reclamam da
falta de infra-estrutura
As famílias que estão acampadas na Praça Nossa Senhora da Salette, em Curitiba, reclamam da falta de infra-estrutura para o atendimento emergencial dos doentes e para as crianças que ainda permanecem nos acampamentos. Segundo Idília Casagrande, 34 anos, as famílias ficam aglomeradas nas barracas e passam dificuldades com o frio.
‘‘Eu não estou contente com este lugar, estou com dores nas costas e fico preocupada com meus filhos de madrugada’’, afirmou ela. Idília dorme num colchão fino com o marido e dois filhos, Rubiele, 2, e Fabiano, 15 anos. ‘‘Meu filho não consegue dormir por causa do frio e tenho pena dele.’’
Situação semelhante vive Rosandra Savinski, de 28 anos, que dorme no acampamento com o marido e três crianças. A filha mais nova, de um ano e oito meses, pegou pneumonia e teve que ficar uma semana internada. O medicamento para o tratamento da doença custava R$ 42,00, dinheiro que o MST conseguiu levantar através de doações. ‘‘A gente passa frio aqui e tenho medo que a minha menina fique doente outra vez.’’
O agricultor Jair Maia, de 49 anos, criticou a distribuição de materiais e doações feita pelo MST e disse que tem que colocar plástico nos pés para se proteger da lama e da umidade da terra. ‘‘Meus sapatos estão furados e não consigo receber de doação’’, disse ele. As principais necessidades dos sem-terra são cobertores, roupas, calçados e colchões. Maia disse que a mulher e a filha estão com gripe e falta remédio no acampamento.
‘‘Está duro permanecer aqui, mas a gente tem que ficar para ver se ganha um pedaço de terra para morar’’, disse Rosandra. ‘‘Não temos outra saída, se voltarmos para nossas cidades vamos morar embaixo de alguma ponte ou na rua, não temos para onde ir’’, complementou Idília.
A barraca onde funciona a farmácia do MST esteve movimentada ontem. A coordenadora da equipe de saúde, Irene da Silva, disse que não consegue atender todos os casos que são encaminhados para lá por falta de medicamentos para dores-de-cabeça e dente.
Ontem, a adolescente Adelita Cristina Vitorina, de 17 anos, sofreu uma crise de epilepsia e teve que ser atendida na barraca. ‘‘Não podemos atender este tipo de situação, tínhamos que ter a ambulância do Estado aqui para levá-la a um hospital’’, alegou Irene, que não tem qualquer formação na área médica e conta com a ajuda de uma enfermeira da Prefeitura que permanece no local durante todo o dia.

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