Famílias reclamam da burocracia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Aline Vilalva e Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - No primeiro semestre, pouco mais de 12 mil famílias eram beneficiárias do Bolsa Família em Londrina. Atualmente, uma média de 13,7 mil recebem o valor destinado pelo governo federal. As alterações realizadas no processo de seleção são os principais fatores que motivaram esse incremento, segundo a gerente do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família no município, Cláudia Renata Favaro.
De acordo com ela, em setembro do ano passado houve mudança na forma de calcular a renda. Na versão antiga eram solicitados os três últimos holerites, já no novo formato são considerados os últimos 12 meses. ''Desta maneira, se uma família ficou desempregada dez meses e começou a trabalhar nos últimos dois, ela provavelmente será incluída'', explicou. Conforme Renata, o número de novas famílias varia bastante mensalmente, mas o crescimento mais expressivo foi verificado em meados de junho ou julho, quando 700 novos beneficiários foram incluídos.
O número poderia ser ainda maior se não fosse a burocracia do sistema. Renilda Carvalho da Silva, de 52 anos, mora com mais duas pessoas em uma casa humilde no Jardim Maracanã (Zona Oeste de Londrina). A mãe dela, Isaura, tem 82 anos e a aposentadoria dela é a única renda familiar, ela recebe um salário mínimo - R$ 622.
A autônoma tenta há mais de um ano o recadastramento junto ao Bolsa Família. ''Recebi por alguns anos e por causa do aumento do salário mínimo tive o benefício cortado. O dinheiro ajudava muito nas despesas, conseguia pagar as contas de água, luz e comprar gás. Agora faço bicos desentupindo fossas para complementar a renda'', explicou. A última tentativa de inscrição no programa foi há dois meses.
A artesã Fernanda Nascimento Soares Luiz recebe R$ 162 do Bolsa Família. Ela e o marido recebem um salário mínimo cada e o benefício ajuda nos custeios de casa, principalmente porque o casal tem duas filhas pequenas e uma já adolescente.
A artesã conta que ano passado foi descredenciada quatro vezes do Bolsa Família. ''Eles cortam por qualquer coisa. Tem que comprovar que elas estão estudando e sem falta, pesar todo mês e mostrar que as vacinas estão em dia. A burocracia é muito grande'', salientou.
A dona de casa Maria Charles Silva redobrou a atenção depois que o benefício foi cortado ano passado. ''Foram dois meses para eles voltarem a pagar. Passei muita necessidade nesse período'', contou. Ela recebe mensalmente R$ 140 do Bolsa Família, sua única renda.
A gerente Cláudia Renata Favaro esclarece que os problemas estão ocorrendo no Cadastro Único, sistema responsável pelo processo de seleção dos programas sociais do governo federal, que está sendo implantado desde o ano passado em todo o País.
''O cadastramento é iniciado no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e encaminhado para a Gerência de Transferência de Renda, que digita as informações, mas se faltar algum dado o sistema não salva o que foi feito'', relatou. Para que o processo seja concluído, é necessário que o CPF da pessoa esteja regularizado na Receita Federal. ''Não são problemas pontuais de Londrina, eles estão acontecendo em todos os municípios'', completou.


