Famílias protestam contra reintegração de posse
São Paulo, 19 (AE) - Uma área de 21,5 mil metros quadrados, onde viviam de forma irregular cerca de 1.200 pessoas
em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, foi desocupada hoje com a presença de 160 homens da Tropa de Choque e do 2.º Batalhão da Polícia Militar. Durante todo o dia, os moradores resistiram à reintegração de posse, determinada pela 6.ª Vara da Fazenda Pública.
O terreno, às margens de um córrego sem canalização ao lado do Conjunto Habitacional São Carlos, pertence à Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) e vinha sendo ocupado desde o fim de 1995. Até hoje, havia cerca de 300 famílias no local. Revoltados, grupos de moradores atearam fogo nos próprios barracos, várias vezes, ao longo do dia. Como havia muita madeira no local, os homens do Corpo de Bombeiros tiveram de trabalhar quase sem interrupção para impedir que as chamas se alastrassem.
Às 7 horas, os moradores formaram uma escudo humano, na tentativa de impedir a aproximação dos policiais. Alguns choravam, outros gritavam e discutiam com PMs, que isolavam a favela, e funcionários da CDHU. área de lazer - O clima continuou tenso durante quase todo o dia. Por volta das 16 horas, quando a maioria dos ocupantes já tinha deixado suas casas e os tratores começaram a trabalhar, derrubando construções de madeira e alvenaria, a situação era de calma. Cerca de duas horas depois, entretanto, moradores que ainda estavam nas imediações desafiaram os policiais e houve conflito. Os moradores atiraram pedras contra os policiais, que usaram bombas de gás lacrimogêneo.
"Os moradores sabiam desde junho que teriam de sair do local", afirmou o procurador da CDHU e advogado do processo, Vítor Custódio Tavares Gomes. Segundo ele, a maioria das pessoas foi para a casa de parentes e amigos. Menos de 20 famílias, que não tinham para onde ir, foram transferidas, provisoriamente, para prédios públicos que não estão sendo utilizados.
De acordo com a assessoria de Imprensa da companhia, a legislação prevê que o terreno ao lado de um conjunto habitacional seja utilizado para instalação de equipamentos de lazer e área verde. Até agora, entretanto, não há projetos específicos para canalização do córrego e uso da gleba. (Gláucia Leal)





