Londrina - A falta de perspectivas, o preço dos aluguéis e a vontade de ter uma casa própria estão entre os motivos que levaram cerca de 300 famílias a invadirem ontem o fundo de vale localizado na Avenida Ana Caputo Piacentini, no Conjunto Maria Cecília (zona norte de Londrina). A demarcação dos lotes, de oito metros quadrados cada, foi realizada na última semana.
De acordo com Maria Aparecida Lopes, representante dos ocupantes, a maioria buscou na invasão uma alternativa à falta de respostas da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). "Quem está aqui tem ficha na Cohab há mais de cinco anos e não conseguiu uma casa. Muitos não têm mais como pagar aluguel e foram despejados, não têm para onde ir", afirmou. Segundo ela, desde que a invasão foi noticiada, mais famílias estão chegando ao local. Atualmente, pelo menos 400 estariam no assentamento.
"Nós não queremos briga, só queremos moradia. Não vamos sair enquanto não conseguirmos uma casa", disse. Maria Aparecia conta que no ano passado se animou quando soube que o Residencial Ilha Bela (zona leste) estava sendo construído. "Mas eu cheguei na Cohab e me disseram que eu precisaria renovar meu cadastro e não tinha previsão de quando me dariam uma casa. Tenho quatro filhos e pagava aluguel de R$ 450. Não dava mais pra continuar", explicou.
Enquanto uma solução definitiva não é encontrada, Maria Aparecida, em nome dos demais ocupantes da área, afirma que espera ter uma conversa com as autoridades. "Não precisa nem dar a casa, só um terreno para a gente construir já basta. Esperamos alguém vir conversar com a gente, fazer uma negociação. Um funcionário da Cohab passou por aqui, mas ninguém veio falar com a gente."


COHAB

A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) informou nesta terça-feira (28) que as famílias envolvidas na ocupação de um fundo de vale no Maria Cecília, na zona norte da cidade, poderão ter problemas para conseguir moradias do município.

"A invasão de fundo de vale constitui crime ambiental. Eles também estão pegando energia da Copel e água da Sanepar irregularmente, o que também configura crime. Depois, no cadastro na Cohab, as pessoas que tiverem crimes como estes em suas fichas não poderão receber moradias", informa o presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann. O Ministério Público já foi acionado.

Segundo a companhia, 126 barracos e barracas estão montados na área invadida, que fica na avenida Ana Caputo Piacentini. Os ocupantes afirmam que o assentamento tem atraído mais pessoas.

"Os cidadãos não podem achar que invadir é uma solução. Eles também não podem simplesmente vir aqui para dar um nome. É necessário concretizar o cadastro com a entrega total dos documentos pedidos", afirma Hoffmann.

Segundo ele, a Cohab procurou os ocupantes antes da invasão para tentar dissuadi-los da ideia. "Mas as pessoas acham que vão levar algum tipo de vantagem ao invadir. Pelo contrário, se forem acionadas criminalmente, eles não poderão receber moradias. O cadastro na Cohab não é fila, seguimos dados cadastrais previstos em lei para atender primeiro os mais necessitados", conclui.

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