Famílias ocupam área arrendada no Noroeste
Sid Sauer
De Campo Mourão
Cerca de 200 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, estão desde anteontem de manhã ocupando a Fazenda Marajó, em Quinta do Sol, no Noroeste do Estado (46 km ao norte de Campo Mourão). Usando foices, facões e machados, o grupo de sem-terra cercou a propriedade por volta das 7h30 e dominou a família do administrador da fazenda, Erlei Aparecido Garcia. O próprio administrador, porém, disse à PM que não houve violência, além do arrombamento da casa.
A Fazenda Marajó tem 420 alqueires (50 alqueires de pasto e 370 alqueires mecanizados) e pertence a Murilo de Araújo Almeida, que mora em São Paulo. Os sem-terra são de vários municípios da região de Campo Mourão e de Mariluz, já na região de Umuarama. A maioria deles faz parte do grupo que invadiu a propriedade no início de setembro, mas que se retirou da área no mesmo dia.
Eles disseram que desta vez não vão se retirar porque foram muito humilhados na tentativa anterior, disse ontem o tenente César Kamakawa. De acordo com a PM, no entanto, a retirada em setembro aconteceu na base do diálogo. Segundo Kamakawa, os sem-terra alegam também que ocuparam a fazenda porque ela está arrendada, o que não seria uma das funções da terra. A Fazenda Marajó já passou por vistorias do Incra.
Os sem-terra montaram cerca de 40 barracos na área de pastagem da propriedade. Testemunhas disseram ter visto pelo menos uma espingarda e um revólver com os sem-terra na hora da invasão. Desde a ocupação, apenas o administrador e os quatro membros da família dele têm acesso permitido à fazenda.





