Famílias no Brasil estão cada vez menores
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quarta-feira, 02 de setembro de 2009
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As famílias brasileiras estão ficando cada vez menores. A informação, que já foi aferida em vários levantamentos, consta de um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado ontem. A pesquisa, que abrange estatísticas nacionais de fecundidade, natalidade, mortalidade e saúde nas últimas décadas, descreve que a taxa de fecundidade total brasileira caiu de 6,2 no ano de 1940 para 2,0 em 2006, ou seja, ficou três vezes menor.
A taxa de fecundidade representa o número médio de filhos que uma mulher tem até o final do seu período reprodutivo em um determinado espaço geográfico. Ou seja, nos anos 40 do século XX, cada mulher brasileira tinha em média seis filhos. Na década atual, a média é de duas crianças por mulher.
Isso ocorre em função de diversos fatores. Houve uma evolução e transformação da sociedade, que influenciaram na característica da família, que antes tinha uma estrutura patriarcal e hoje tem um perfil de núcleo. É uma decorrência da mudança do papel da mulher, com os métodos anticonceptivos, o ingresso no mercado de trabalho e a aspiração a projetos pessoais. A mulher não vive mais apenas para a família. Na família de característica nuclear, o homem e a mulher têm as mesmas obrigações, descreve Sandra Maria Mattar, diretora do curso de sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
O levantamento deixa implícito que a escolaridade influencia nessa tendência de redução do número de filhos. No Paraná, onde a taxa de fecundidade total era de 1,9 no ano de 2005, a taxa média era de 2,7 entre mulheres que estudaram até três anos e de 1,4 entre mulheres com oito anos de estudo ou mais. Entretanto, o IBGE pondera que nos segmentos menos instruídos da população as taxas também vêm diminuindo.
Outra grande transformação nas últimas décadas ocorreu na expectativa de vida. Segundo o IBGE, entre os anos de 1930 e 2005, a esperança de vida ao nascer no Brasil aumentou de 41,5 para 72,1 anos. Na região Sul, no mesmo período este incremento foi de 49,2 para 74,2 anos, índice mais alto entre as grandes regiões.
Homicídios
As estatísticas também espelham os efeitos da violência na realidade brasileira. De acordo com o IBGE, entre os anos de 2000 e 2005, a taxa de homicídios por arma de fogo de pessoas do sexo masculino com idade entre 15 e 29 anos aumentou de 72,4 para 74,5 para cada grupo de 100 mil jovens.
O Paraná apresentou um avanço preocupante nesse índice. Segundo os números do IBGE, no período mencionado a taxa de homicídios de jovens do sexo masculino por arma de fogo no Estado variou de 45,1 para 88,3 em cada 100 mil, índice superior ao nacional.


