Maurício Borges
enviado a Ivaiporã
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no acampamento da Fazenda Corumbataí, mais conhecida como ‘‘7 Mil’’, em Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana), impediu a retirada de 50 famílias do local no final de semana. Elas seriam levadas para o assentamento que está sendo estruturado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Fazenda São Lourenço, no município de Palmas.
No sábado, José Jorge da Luz e Davi Gonçalves da Silva, funcionários do Incra, que iriam dar apoio para o deslocamento das famílias para Palmas, foram impedidos de sair da 7 Mil. Eles ficaram retidos por 24 horas no acampamento, onde participaram de assembléias e reuniões da coordenação.
Segundo Vilmar da Silva, um dos membros da coordenação do MST no acampamento, todos foram apanhados de surpresa. ‘‘Ninguém sabia de nada a respeito desta transferência que, certamente, foi resultado de uma negociação isolada do Incra com famílias que já haviam sido expulsas do acampamento.’’
Para a coordenação local, esta seria mais uma tentativa de enfraquecer o movimento na 7 Mil. ‘‘Soubemos de dez caminhões alugados em Arapuã e Ivaiporã pelo fazendeiro Flávio Pinho de Almeida, dono da fazenda’’, revelou Vilmar, acrescentando que está exigindo do Incra a relação das famílias que seriam deslocadas. ‘‘Se isso acontecer, os critérios para a escolha das famílias será da coordenação do MST.’’
A superintendente-adjunta do Incra no Estado, Maria Rosalina Arend, esclareceu ontem à Folha que o instituto tinha viabilizado 50 módulos no assentamento da São Lourenço. ‘‘Atendemos o pedido dos que não têm perspectivas de regularizar sua situação nesta área’’, disse, lembrando que o Incra perdeu na última instância a ação na qual Pinho de Almeida conseguiu derrubar o decreto de desapropriação da área.

mockup