Famílias invadem terreno público
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quinta-feira, 28 de março de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina - Doze famílias invadiram ontem um terreno público no Jardim Morar Melhor, zona leste de Londrina. Os moradores alegam que estão há muito tempo cadastrados na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), mas não foram contemplados no Programa Minha Casa, Minha Vida.
A ocupação ocorreu de madrugada e vários barracos foram erguidos em uma praça. Cerca de 40 pessoas, entre elas muitas mulheres e crianças, se espremem nos casebres sem água nem energia elétrica. Há dois meses, sete famílias do mesmo bairro foram contempladas com apartamentos no Residencial Cristal, zona sul. Segundo os moradores, a promessa da Cohab é que eles também seriam transferidos.
"Fui quatro vezes na Cohab e não consegui ser atendido. Eu não tinha mais condições de pagar o aluguel de R$ 300. Enquanto não resolverem a situação não vou sair daqui" afirmou o pedreiro Luiz Henrique Pinto, de 20 anos. O morador, que é casado e tem um filha de 1 ano, tem cadastro na Cohab há mais de um ano.
A diarista Maria Goreti da Silva, de 40 anos, fica revoltada quando tem notícias de imóveis que estão sendo vendidos em vários loteamentos do Minha Casa, Minha Vida em Londrina. "Tanta gente que tem e não quer e eu querendo tanto. Não escolhemos lugar não. Qualquer local que nos indicarem nós vamos sem problema", relatou.
O secretário de Gestão Pública, Rogério Dias, informou que a invasão não gera direito e não altera as prioridades de atendimento da Cohab para a seleção dos beneficiados do programa. Ressaltou que existe uma série de critérios para a concessão de moradias.
"As famílias precisam morar há pelo menos cinco anos na cidade e ter renda máxima de R$ 1.600. Mulheres chefes de famílias, famílias com filhos, idosos e deficientes têm prioridade. Essa invasão não muda nada, não negociaremos com os invasores", garantiu.
Dias acrescentou ainda que as famílias serão notificadas a sair do terreno. Caso contrário, a prefeitura tomará as providências judiciais necessárias.
O presidente da Cohab-Ld, José Roberto Hoffmann, ressaltou que os critérios de seleção são rigorosos. "Não vamos abrir mão só porque houve invasão. Não fizemos nenhum levantamento para não criar uma expectativa, mas, a princípio, estas famílias não se enquadram nos critérios de seleção", explicou.
Sobre a possibilidade de apartamentos vagos no Residencial Cristal, Hoffmann admitiu que existem mesmo, mas ressaltou que é porque as pessoas ainda estão em processo de mudança. Em Londrina, 15 mil famílias aguardam na fila por uma casa própria. A administração municipal esperar reduzir esse deficit para 8 mil em quatro anos.


