Famílias inimigas terão terra desapropriada
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
Ângela Lacerda Agência Estado Do Recife 
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, disse ontem estar disposto a desapropriar terras das famílias inimigas do sertão do São Francisco para contribuir com a paz na região e fazer a reforma agrária. A briga entre os clãs dos Araquan e Gonçalves, de um lado, e Benvindo, Nogueira, Simões de Medeiros (os Russos) e Gonçalves da Silva (Cláudio), do outro, já provocou a morte de mais de 100 pessoas nos últimos 20 anos.
Representantes das famílias procuraram o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para oferecer suas terras para desapropriação. A intenção é refazer a vida em outros Estados com o dinheiro da indenização. Eles assinaram um pacto de paz no dia 31 de outubro do ano passado e acreditam que a iniciativa vai consolidar o fim da guerra familiar.
Jungmann informou que nos próximos dias começa o levantamento do número e situação legal das propriedades para vistoria pelo Incra. Ele alertou que a desapropriação só ocorrerá se as terras estiverem legalizadas, forem agricultáveis e não tiverem plantio de maconha. Em uma primeira estimativa, as famílias acreditam ter, juntas, cerca de 20 propriedades, com 18 mil hectares distribuídas em cinco municípios - Mirandiba, Belmonte, Cabrobó, Belém do São Francisco e Lagoa Grande - na área conhecida como polígono da maconha, em PE.
Cerca de metade dessas terras estão sem uso, em parte porque integrantes dos clãs deixaram o local fugindo da violência e da criminalidade. Também existe a perseguição da polícia e a falta de crédito agrícola, disse o representante dos Araquan, Rogério Araquan.
O Incra dispõe de R$ 42 milhões para desapropriações de terras em Pernambuco dentro do orçamento deste ano, montante insuficiente para a aquisição de todas as propriedades. Vamos fazer o que for possível, afirmou Jungmann, lembrando que outras áreas poderão ser compradas nos próximos anos.
Jungamnn disse que se os técnicos do Incra encontrarem algum plantio de maconha a terra será expropriada. Caso haja novos conflitos familiares nessas áreas, as negociações serão suspensas. Rogério Araquan afirmou que dos 1.200 integrantes da sua família, cerca de 40 estão dentro do foco da briga. Mesmo que muitos não queiram deixar a terra, como eu próprio, a gente se compromete a tirar da região essas pessoas mais implicadas, disse ele. Barnar Russo, representante dos Russos, garantiu que os 100 integrantes da sua família estão dispostos a deixar o Estado. Queremos colocar uma pedra em cima dessa situação, disse ele.


