Famílias em Candói dizem que vão resistir
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Reportagem Local 
Os mais de mil sem-terra que ocupam a Fazenda Campo Real nas margens da BR-277, em Candói, no sudoeste do Paraná, prometem resistir no local caso o governo do Estado tente promover a desocupação da área. A informação foi dada por lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que organiza a ocupação juntamente com o MST. As famílias que estão no local são provenientes do acampamento que reúne, há mais de um ano, duas mil famílias de sem-terra no município de Clevelândia, na região próxima ao Rio Chopim.
Segundo Hélio Mecca, da coordenação do MAB, na Bacia do Rio Chopim está sendo planejada a construção de 13 novas barragens que, segundo disse, irão expulsar milhares de famílias de suas terras. ''Organizamos o acampamento e a ocupação para mostrar à sociedade que aqui já há agricultores sem terras de mais, e que a construção de barragens só vai agravar a situação na região'', relatou Mecca.
Entre os agricultores que ocuparam a fazenda em Candói, há famílias que perderam suas terras pela construção das barragens de Salto Osório e Salto Santiago e atingidos pela barragem de Salto Segredo.
Joceli Andrioli, outro dirigente do MAB, afirma que o assentamento de sem-terra em latifúndios improdutivos assegura a justiça social, ao contrário das barragens. ''Queremos terra para produzir alimentos e gerar riquezas para o país'', afirmou.


