As 60 famílias de trabalhadores rurais sem-terra que invadiram a Fazenda Rincão, em Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho), em fevereiro deste ano, e que haviam se transferido a uma propriedade vizinha, deixaram o local. Eles estão aguardando uma resposta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao pedido de revisão de vistoria da Rincão, que foi feito no início de abril. Num primeiro momento, o Incra deu a terra como sendo produtiva. No sábado eles mudaram o acampamento para uma reserva no assentamento Marimbondo, também em Ibaiti, onde já vivem 71 famílias.
‘‘Saímos porque estávamos sendo muito pressionados pelos pistoleiros tanto da fazenda Rincão, como da Fazenda São José (propriedade vizinha à fazenda Rincão). Além de tiros o nosso pessoal era diariamente humilhado e cercado pelos pistoleiros’’, disse o líder regional do MST, Luiz Alonso Salles. Segundo ele, se a pressão continuar o movimento vai denunciar os fazendeiros responsáveis pelas duas fazendas.
O fazendeiro Rudolf Reich contestou a acusação e disse que a pressão sempre partiu dos acampantes. ‘‘Os seguranças chegaram mais perto deles para pedir que ficassem quietos. Mas os tiros partiram deles também’’, argumentou Reich. Ele disse que não pode se responsabilizar pelos atos dos seguranças das fazendas vizinhas.
Para Reich o clima de tensão e conflito foi gerado pelo seu antigo empregado, Jurandir Carneiro. ‘‘Foi ele quem mentiu sobre a quantia de gado e iludiu os sem-terra a invadir minha área’’. No mês de março, Reich apresentou um relatório comprovando mais de 640 cabeças de gado na área. ‘‘Desmentimos a declaração de Jurandir de que só teríamos 400 cabeças e hoje estamos munidos de documentos para isso’’, acrescentou o fazendeiro.
Mariluz Seis famílias de empregados já deixaram a Fazenda São João, em São Luiz, distrito de Mariluz (35 quilômetros a sudeste de Umuarama). As famílias foram expulsas pelos sem-terra que ocuparam a fazenda em março. Dos sete empregados que moravam na fazenda apenas um, Fulgêncio Pereira dos Santos, ainda está morando na propriedade. As outras famílias mudaram para a cidade ou para outras propriedades de José Teixeira, dono da área invadida. O delegado de Mariluz, Joel Vicente, disse ontem que não tem como impedir a expulsão dos empregados da fazenda. Vicente instaurou inquérito para apurar denúncias de invasão de domicílio contra os sem-terra.

mockup