Paulo WolfgangPara Maria e Serafim, pais de Elisângela, motoboy foi instruídoOs pais da estudante londrinense Elisângela Francisco da Silva, 21 anos, uma das vítimas do maníaco do parque, o motoboy Francisco de Assis Pereira, não acreditam que ele tenha problemas mentais. ‘‘Eu vi ele na televisão e ele mesmo disse para quem quisesse ouvir que nunca tinha tido nenhum problema de cabeça. Foi de pura maldade mesmo’’, afirma a lavradora aposentada e mãe da estudante assassinada, Maria Ferreira da Silva, 65 anos.
Serafim Francisco da Silva, pai de Elisângela, também não se conforma. ‘‘Ele foi muito bem ensinado por aquela advogada dele. Só está tentando convencer os outros que tem problemas mentais para aliviar a pena’’, acredita. O lavrador aposentado diz que não aceita nada menos que prisão perpétua para o motoboy que matou a filha. ‘‘A morte é pouco. Se existe a justiça do homem e de Deus, ele tem de ter tempo de pensar no que fez e sofrer bastante’’, diz Maria Ferreira da Silva.
A família e amigos de Elisângela se reúnem hoje às 19h30 na Igreja Nossa Senhora da Glória, no Parque Ouro Verde (zona norte da cidade), para a missa de sétimo dia do enterro da estudante. Ela também vai ser lembrada na missa das 18h30 da Catedral de Londrina.
A mãe de Raquel Motta Rodrigues - outra garota assassinada pelo motoboy - Hebe Motta Rodrigues, quer vingança. Ao saber da prisão do motoboy, na manhã de quarta-feira, ela afirmou desejar que o assassino da filha passe um longo tempo na cadeia. ‘‘Fiquei mais aliviada em saber que pegaram ele; quero que ele pague o que fez e fique o resto da vida na cadeia; tive um sofrimento muito grande.’’
Já André Motta Rodrigues, irmão da vítima, afirmou esperar que o acusado fosse violentado pelos outros presos, antes de ser morto: ‘‘Quero que ele seja morto aos pouquinhos; para mim, só isso será justiça para este bandido’’, afirmou.
Jacqueline, a irmã mais nova de Raquel, explicou que ela era bastante extrovertida e que ficou iludida com a proposta do motoboy, que a abordou numa estação do metrô. ‘‘Ela era muito alegre e bonita e, chegando em São Paulo, logo arrumou emprego de vendedora’’, lembrou.
Na pequena casa na Rua Itajaí, 40, em Gravataí (Região Metropolitana de Porto Alegre), Hebe e os outros dois filhos acompanharam pelo rádio todas as notícias sobre a prisão e a confissão feita pelo suspeito.
O vendedor Nelson Carsoni, 54, acredita que sua filha, Rosana Celia, 23 anos, esteja entre as vítimas de Francisco de Assis Pereira ainda não identificadas. Morador das vizinhanças do parque do Estado, onde ocorreram os crimes, Carsoni reclama do fato de a polícia ainda não ter mostrado a foto de sua filha ao motoboy. A jovem desapareceu no dia 16 de junho. Na opinião de Carsoni, qualquer pessoa conseguiria lembrar-se do que fez nessa data, porque foi o dia do jogo entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo. ‘‘Mas eu não recebi nenhuma comunicação da polícia, nada. Eu entendo que eles devam estar com muito trabalho, mas como é que fica o nosso sofrimento, que estamos há quase dois meses procurando nossa filha?, pergunta Carsoni.

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