O presídio do Carandiru foi palco do assassinato de 111 detentos
São Paulo - Após uma década, dez famílias de presos mortos no massacre da Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru, estão recebendo pensão. Elas ganharam na Justiça ações por danos materiais. Existem outras 60 ações em andamento no Judiciário ou em fase de execução da dívida, já com sentença definitiva condenando o Estado a pagar indenizações que, em média, são de 100 salários mínimos.
Existem 34 famílias que já ganharam na Justiça a ação por danos morais. O dinheiro virou dívida do Estado e entrou na fila dos precatórios judiciais para ser pago. O Estado ainda está pagando os precatórios de dívidas de 1997, portanto, as famílias terão de esperar para receber. Às vezes, a espera é tanta que os parentes do preso morrem antes da conclusão do processo.
Dez anos depois do massacre dos 111 presos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, em São Paulo, o homem que chefiou a Tropa de Choque da Polícia Militar no dia 2 de outubro de 1992 continua afirmando que não se arrepende do que fez e garante ter a consciência tranquila.
A morte dos 111 detentos foi motivo de orgulho? Repete que não. Mas afirma que também não é motivo de aborrecimento. ''Foi um trabalho como tantos outros que realizei em 33 anos e meio na corporação. Se tivesse de chefiar a tropa em situação idêntica, eu o faria novamente.''
O coronel Ubiratan Guimarães, de 59 anos, três filhos, na reserva da corporação, é consultor de segurança. Afirmou ter assumido a responsabilidade da invasão porque estava no comando. Ele e outros 84 policiais foram indiciados, acusados de assassinato e lesões corporais graves.
Condenado a 632 anos de prisão, pelo 1º Tribunal do Júri, Guimarães reclama e diz ser hoje o maior condenado no Brasil. ''Recebi pena maior que a do bandido Escadinha, um dos mais perigosos do País. Posso garantir que entre os 111 mortos não havia inocentes.''
Ato - Hoje, a Pastoral Carcerária e outras entidades de defesa do direitos humanos lembrarão o massacre num ato ecumênico, às 18 horas, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O ato deve ter a presença do cardeal emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns.

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