Famílias de sem-terra decidem ficar em área
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Pablo Pereira Agência Estado 
SÃO PAULO - As cerca de 2.200 famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST) que ocupam a Fazenda Santo Antônio, em Itaquiraí (MS) decidiram romper o acordo de retirada e permanecer na área. Eles alegam que o governo não cumpriu compromisso feito sexta-feira de enviar alimentos e lonas para o novo acampamento a ser montado à beira da BR-163, e que líderes estariam ameaçados de prisão.
Membros da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul e do Incra foram enviados pela manhã ao município para iniciar a retirada das famílias. Mas os sem-terra voltaram atrás. Em Campo Grande, líderes do MST disseram que a suspensão do acordo era para evitar a prisão de sem-terra, que teria sido decretada pelo juiz Danilo Burim, de Naviraí. O juiz negou que houvesse dado a ordem de prisão preventiva. Para o delegado Sidnei Alberto, a atitude dos sem-terra representa uma manobra.
A operação, que deveria continuar até quarta-feira, transportaria os sem-terra para outro acampamento, que está sendo montado à beira da rodovia BR-163, a cerca de 50 quilômetros de Itaquiraí.
A saída das famílias da área invadida há um mês fazia parte de um acordo feito sexta-feira no fórum estadual de reforma agrária, criado para resolver a crise. Após a conclusão da retirada, técnicos do Incra iniciariam vistoria para verificação da produtividade da Santo Antônio, reivindicada pelo MST para assentamento de cerca de 2.200 famílias.
Os líderes do MST temiam conflitos entre acampados e PMs durante o transporte das famílias. Na primeira semana de ocupação, um incidente envolveu uma centena de sem-terra e uma patrulha da PM. Os sem-terra desarmaram os PMs, protestando contra um bloqueio na estrada de acesso à fazenda. Dois dias depois, os PMs prenderam dois sem-terra em Naviraí.


