Um grupo de 20 famílias do distrito rural de Maravilha (Zona Sul de Londrina), que alega não ter como pagar mais o aluguel das casas onde moravam no bairro, ocupa desde quinta-feira um terreno da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). O órgão deve entrar com um pedido de reintegração de posse na Justiça nos próximos dias. Alojados em barracos, os trabalhadores dizem que não vão deixar a área.
O supervisor de limpeza Sebastião Alves de Souza Filho, 31 anos, é um dos poucos com emprego com carteira assinada. Mesmo assim, ele diz que o salário de R$ 461,00 é insuficiente para bancar as despesas do mês. ''Só de remédio para o meu filho já gasto R$ 100,00. Não tenho como arcar com todo esse gasto'', lamentou.
Os moradores gastavam em média R$ 150,00 mensais de aluguel. Valor que, segundo eles, é impossível de ser pago por conta da falta de emprego. Grande parte deles trabalha na lavoura a troco de R$ 15,00 por dia. ''Isso quando tem serviço'', ressalta Maurício Valério da Silveira, 32.
O lavrador divide o barraco com a esposa Ana Paula Furtado, 25. Por enquanto, os cinco filhos dormem na casa de familiares. E para construir um ''barraco um pouco melhor'' pretende contar com ajuda de moradores e agricultores da região, que teriam se comprometido em doar madeira para a construção da moradias.
A reivindicação é para que a Cohab-Ld regularize os lotes, uma vez que todos se dizem a favor de pagar pelos terrenos e arcarem com os custos das construções. Também afirmam que pretendem aguardar um posicionamento da presidência do órgãos antes de começarem a construir.
Enquanto isso, a sobrevivência é conquistada no improviso. Numa fogueira, preparam as refeições. Banheiro e chuveiro são ''luxos'' que dependem da boa vontade da vizinhança, que tem colaborado. ''Se a gente fosse invasor você acha que alguém iria ajudar?'', questionou o lavrador Claudemir Depetrez, 37.
E essa conquista depende em grande parte da coragem. Apesar de tratar-se de um terreno público, a única roçagem feita recentemente foi obra do próprio grupo. Em parte do terreno o mato supera os dois metros de altura. E é nesse ambiente que a trabalhadora rural Joelma Valéria Pereira, 36, divide o barraco com a filha de 16 anos, que está no sexto mês de gravidez.
''Tem que ter coragem para morar aqui. Fazer o que, não é? Mas com o que ganho de diária só dá para comida. Aí não tem como pagar aluguel'', garante a bóia-fria, que não conta nem mesmo com bolsas de assistência social dos governos.
Para o presidente da Cohab-Ld, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, a ocupação do terreno da companhia pode dificultar a construção de casas populares no distrito. ''Agora teremos que resolver o problema de encontrar um terreno para viabilizar um projeto para Maravilha'', afirmou.
Eles também queixam-se da demora da Cohab-Ld em construir mais casas populares no distrito. E a história dá razão ao grupo. A última entrega de moradias no local, segundo a própria companhia, foi em 1994.

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