As 66 famílias que permanecem em um terreno no Jardim Califórnia, zona leste de Londrina, esperam um posicionamento de representantes da prefeitura para garantir moradias populares. Parte da área doada pelo município ao Lions Clube de Londrina foi ocupada por 32 famílias no início de maio. Desde então, o número de moradores aumentou. Barracos de madeira cobertos com telhas e lonas foram construídos no local e as famílias prometem deixar a área apenas quando houver a garantia da casa própria.
O presidente da Associação de Moradores do Jardim Nova Conquista, Marcos Luiz dos Santos, pediu explicações sobre a forma como o terreno foi doado ao Lions Clube. Recentemente, a organização destinou parte da área ao Centro de Apoio ao Paciente com Câncer (CAPC), instituição criada em 2013. "Conversamos com o prefeito nessa semana e vou conversar com o presidente da Câmara de Vereadores para que isso seja verificado. Como um terreno doado pelo município pode ser repassado para outra instituição?", questionou. Conforme Santos, representantes da prefeitura teriam se comprometido a oferecer alternativas às famílias.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffmann, ressaltou que boa parte das famílias já está cadastrada junto à companhia. "Os que não estão cadastrados foram chamados a repassar as informações, mas há também os que não podem ser atendidos por terem renda mensal maior que R$ 1.600, limite da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida", resumiu Hoffmann. A Cohab espera a liberação de recursos do governo federal para construir, aproximadamente, 4 mil unidades residenciais na zona sul de Londrina por meio do programa Minha Casa Minha Vida. A intenção é iniciar as obras no primeiro semestre do ano que vem. "Essa condição de ocupar um terreno não dá preferência para receber a casa, aliás, até prejudica", frisou.
O presidente do Centro de Apoio ao Paciente com Câncer (CAPC), Celso Fernandes Junior, informou que a entidade já obteve na Justiça o direito a reintegração de posse. No entanto, aguarda a saída das famílias para evitar o confronto. "O Lions cumpriu todas as exigências legais após a doação do terreno pelo município. Eles construíram uma creche, na época, para dar assistência às famílias do bairro. A outra parte da área foi doada para a construção da sede do centro de apoio com a aprovação da Promotoria de Justiça", garantiu.

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