Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Ex-funcionários da Fazenda Mitacoré que mantinham acampamento em frente a Cúria Diocesana de Foz do Iguaçu (residência onde mora e trabalha o bispo), desmontaram as barracas e decidiram passar o réveillon na casa de parentes que moram em cidades vizinhas. As nove famílias que se dizem expulsas da Fazenda, invadida por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde setembro de 19997, decidiram acampar na entrada da Diocese no dia 21 de novembro do ano passado, por entenderam que o bispo, dom Olívio Fazza, havia apoiado a invasão do MST, fazendo com que eles perdessem as casas onde moravam na propriedade.
Representantes do MST dizem que não ocorreu nenhuma expulsão, afirmando que as famílias foram convidadas a participar do movimento. Os líderes disseram ainda que, mesmo depois de recusarem o convite, as famílias foram liberadas para viver na sede.
Segundo o representante das famílias, Jair Ruhoff, a decisão de desmontar o acampamento que estava montado na porta da igreja saiu depois da reunião realizada entre o bispo e José Carlos de Araújo Vieira, superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Vieira garantiu que serão assentadas na fazenda cerca de 120 famílias, incluíndo os ex-funcionários. O Incra está estudando um projeto que vai destinar parte da propriedade à instalação de uma área de pesquisa para o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
As 23 pessoas que estavam acampadas em frente a Cúria, entre elas cinco crianças, viveram durante os 42 dias de acampamento usando água, energia elétrica e sanitários da Diocese. A alimentação era mantida com doações de parentes e entidades.