Famílias criticam demora para liberar corpos
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quarta-feira, 04 de janeiro de 2017
Rubens Valente<br>Folhapress 

Manaus - Sob um sol forte e calor de 30 graus, em pé, sem água e comida, dezenas de familiares dos 60 presos mortos em duas penitenciárias de Manaus aguardaram por horas nesta terça-feira (3) em frente ao Instituto Médico Legal (IML) da capital do Amazonas. As famílias buscavam informações e a liberação de corpos já identificados.
O governo proibiu o acesso das famílias ao prédio do IML e decidiu soltar as informações em conta-gotas, o que exasperou os parentes dos presos. "O que está acontecendo aqui é que não temos respaldo de nada. Não tenho notícia do meu filho desde domingo. Fui ao presídio e lá disseram 'ah, não consta da lista nem de vivo nem de fugitivo'. Aí a gente vem para cá [IML], a moça veio com uma lista de nomes. Pergunto à moça se era do pessoal que morreu. Ninguém sabe, não tem como saber se é de vivos ou de mortos. E aí?", disse Regina, que buscava informações sobre seu filho, Igor André Silva de Melo, de 24 anos.
O pastor evangélico Paulo Guedes, que disse trabalhar com grupos de oração em presídios de Manaus desde 1991, distribuiu copos d'água aos parentes dos presos. "Aconteceu essa catástrofe e o Estado é deficiente. Por exemplo, morreram 60 pessoas e o IML tem vaga para apenas 20. Não veio aqui nenhuma pessoa oferecer água ou banheiro. Estão todos no sol e na chuva. A deficiência não é só no presídio, é no Estado de direito", disse.
Funcionários do IML vinham à grade do prédio para chamar pelo nome alguns parentes, que assim eram autorizados a entrar. Segundo os funcionários, essas pessoas eram cadastradas e levadas ao reconhecimento do corpo. Em caso positivo, o corpo poderia ser liberado para o enterro.
Os funcionários justificaram a demora na liberação pelo mau estado da maioria dos corpos, muitos sem cabeça, pernas e braços e alguns carbonizados, o que dificulta a identificação dos cadáveres.


