Famílias colhem soja em Salto Caxias
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sábado, 15 de março de 1997
Da Redação 
Arquivo FolhaMudança à vistaNúcleo de casas à beira do Iguaçu, à espera de transferência para as áreas de reassentamentoO projeto Básico Ambiental da Usina de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, além da implantação de 26 programas que tentam minimizar o impacto da construção da hidrelétrica, vai colher resultados que literalmente estavam fora do programa: são cerca de 90 mil sacas de soja plantada nos 7,3 mil alqueires adquiridos pela Copel para reassentar as 628 famílias que serão desalojadas pela obra.
Os 15 grupos que representam as famílias que serão reassentadas decidiram, em comum acordo com a Copel, não esperar a transferência definitiva para as novas terras e iniciar imediatamente o plantio das áreas. Mediante acordo com os donos anteriores das terras, os Conselhos Unificados - que representam a comunidade de cada grupo - arrendaram as áreas e agora vão colher a safra, estimada em cerca de R$ 1,4 millhão. Eles ficarão com metade desse valor, de acordo com contrato assinado com os arrendatários.
Como todas as famílias ainda continuam plantando e morando às margens do Rio Iguaçu, enquanto os projetos de infra-estrutura são implantados nas terras destinadas ao reassentamento, a colheita é um reforço de caixa, um jeito a mais de minimizar o impacto da obra, segundo Antônio Fonseca dos Santos, gerente da Coordenadoria de Engenharia Ambiental da Copel.
A safra extra é uma resposta antecipada da empresa paranaense aos participantes do 1º Encontro Internacional de Atingidos por Barragens, realizado esta semana em Curitiba, e que entre outras reivindicações propõem a democratização da discussão das obras de hidrelétricas com as comunidades envolvidas. A Copel vem desenvolvendo uma série de medidas na região da usina de Salto Caxias sempre em conjunto com as comunidades, através de reuniões em que são discutidos abertamente os problemas.
Foi assim para a definição das áreas de reassentamento - que levaram em conta localização, relações de amizade, vizinhança e parentesco - e também para definir quais famílias seriam transferidas e quais ficariam na região. Assim ficou estabelecido no Programa de Desapropriação que a empresa cumpriria um cronograma em três etapas - de 30%, 40% e 30% - para pagamento das indenizações. Duas já foram quitadas, dentro dos prazos, e a última vencerá em julho deste ano.
CuidadosMuitas propriedades que não serão totalmente atingidas pela hidrelétrica foram desapropriadas, depois que se constatou que a parte não atingida deixaria de fornecer o sustento necessário aos proprietários. A Copel também está pesquisando as atividades comerciais e prestadoras de serviço que podem ser afetadas pelo esvaziamento populacional em algumas comunidades. Uma das alternativas propostas é o fomento de novas atividades, trabalho que está sendo desenvolvido com o apoio do Sebrae.
De acordo com o cronograma, as obras de infra-estrutura ficarão prontas em setembro deste ano, quando então estarão liberados os lotes para início da construção das residências. Entretanto, parte da verba dessas obras - R$ 500 mil - já foi liberada para o início da construção em dois dos 15 projetos de reassentamento.
O reservatório de Salto Caxias terá uma área de 141 quilômetros quadrados, afetando total ou parcialmente cerca de 1.200 propriedades de nove municípios das regiões Oeste e Sudeste do Estado. A primeira das quatro unidades geradoras de Salto Caxias entrará em funcionamento em dezembro de 1998 e as restantes até setembro de 1999, aumentando em cerca de 30% a capacidade de geração própria da Copel.


