Londrina – Famílias de bebês prematuros de Londrina se mobilizaram na manhã de ontem no Aterro do Lago Igapó para cobrar mais agilidade no fornecimento do medicamento Palivizumabe, essencial para prevenir infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em crianças com cardiopatia congênita ou doença pulmonar crônica.

O protesto lembrou também da morte do bebê Davi Luccas Alves, que tinha 47 dias de vida, no último dia 16 em Curitiba. Davi nasceu prematuro de 32 meses e sofreu uma parada respiratória. A família alegou que teve que aguardar mais de sete horas para que a criança fosse transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e por isso não ela resistiu. Davi também não foi imunizado pelo Palivizumabe.

Na capital, cerca de 100 pessoas saíram em passeata da praça Santos Andrade até a sede da prefeitura municipal, com cartazes, bexigas pretas e camisetas alusivas ao bebê e cobrando justiça. Segundo Michael Lacerda Cruz que é parente dos pais de Davi, a família incluiu entre as reivindicações melhorias na saúde e mais leitos em hospitais. Eles pedem também pela aprovação da PEC 01/13 que determina a transferência imediata do paciente para a rede privada, caso não haja vaga pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda segundo Cruz, a Prefeitura abriu uma sindicância sobre o caso que está sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil.

No Paraná, 800 bebês prematuras necessitam do medicamento, que é aplicado em cinco doses, de preferências entre os meses de abril e setembro, período mais frio do ano e com mais risco de problemas respiratórios. Do total, pelo menos 400 famílias tiveram que apelar para a Justiça para conseguir a liberação da vacina, que na rede particular custa R$ 5,8 mil. De acordo com a 17ª Regional de Saúde, na região de Londrina são 60 bebês cadastrados que necessitam do medicamento.

Em Londrina, Benedito e Márcia de Jesus, avós do pequeno Luca, de três meses, ainda vivem um grande drama. A família protocolou a documentação para que o bebê, que nasceu de 26 semanas, recebesse o Palivizumabe no dia 18 de março e somente na sexta-feira foi informada que a 1ª dose será aplicada na terça-feira. "Ele tinha que ter tomado a medicação logo no primeiro mês de vida, já que o caso dele era urgente. Até uma parada cardiorrespiratória ele já sofreu", contou o avô.
A chefe regional da 17ª, Teresinha de Fatima Sanchez, informou que há estoque suficiente para atender toda a demanda e que já foram aplicadas 29 doses na regional. "Toda semana temos recebido para suprir a necessidade e o nosso ambulatório otimizado tem funcionado sem problemas. Somos a única regional do Estado que conta com uma médica para avaliar a saúde dos bebês antes da aplicação da vacina", frisou. (Colaborou Andréa Bertoldi)

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