Há um ano e meio as cerca de 17 mil famílias assentadas no Paraná não recebem assistência técnica. ''Estão abandonadas. Elas não têm acesso a crédito devido à falta de laudos de assistência técnica'', afirmou Luiz Alonso Sales, do setor de produção, cooperação e meio ambiente do MST no Paraná.
Segundo o militante, até ontem à tarde haviam aderido ao protesto nacional pequenos agricultores de 18 estados.
Além de recursos para assistência técnica, os sem terra reivindicam renegociação total das dívidas, com prazo de carência de cinco anos e vinte anos para pagar e sem juros; medidas para que não haja prejuízo na obtenção de novos créditos de custeio e investimento; política pública de compra da produção e de produtos industrializados ou beneficiados pelas Cooperativas da Reforma Agrária (na quantidade de 70% da atividade principal da família assentada, com preço de 30% acima do custo de produção); e colocação imediata do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), dentro do Programa Plurianual (PPA) do Governo Federal.
''O governo gastou no ano passado R$ 2,8 bilhões na compra de soja de grandes produtores. Para a compra da produção de pequenos agricultores, foram apenas R$ 300 milhões'', afirmou Sales. Os sem terra também reivindicam aceleração no processo de reforma agrária. O MST apontou que somente no Paraná 7 mil famílias acampadas ainda aguardam assentamento.
A representação regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que a divisão de infra-estrutura é o único setor que não está em greve e vem aplicando em 2007 mais recursos do que nos últimos três anos. As superintendências do Banco do Brasil e da Conab no Paraná informaram que as reivindicações dos sem terra estão ligadas a políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Ontem à tarde, representantes de entidades rurais da região de Cascavel realizaram um ato público na fazenda experimental da empresa Syngenta em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel) para comemorar a reintegração de posse da área. A propriedade foi ocupada duas vezes em um ano e meio por militantes do MST e da Via Campesina, que deixaram o local na semana passada. A Sociedade Rural do Oeste informou que, após o ato público, os representantes das entidades visitaram a fazenda e constataram que a estrutura teria sido depredada durante a ocupação. A Via Campesina nega.

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