Famílias ainda relutam em autorizar doação de órgãos
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terça-feira, 01 de setembro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Mais da metade das famílias paranaenses se nega a doar órgãos de um parente falecido porque desconhece a vontade da própria pessoa em vida. Segundo a coordenadora da Comissão Regional de Procura de Órgãos, Ogle Bacchi de Souza, no ano passado 43 famílias se recusaram a realizar as doações no Estado, 52% do total de casos em que era possível doar. A informação foi divulgada na tarde de ontem, na Câmara Municipal de Londrina, durante evento de lançamento da campanha Setembro Verde, que visa estimular a doação de órgãos ao longo de todo o mês.
Será também a primeira vez que o município irá comemorar o Dia Municipal do Doador de Órgãos e Tecidos ou "Dia Verde", em 27 de setembro. As datas no calendário de comemorações oficiais do município foram criadas em lei por iniciativa da vereadora Lenir de Assis (PT), e sancionada pelo prefeito Alexandre Kireeff (PSD) em outubro de 2014.
Embora ainda haja resistência dos familiares em doar os órgãos do ente morto, Ogle comemora um aumento do número de doadores de múltiplos órgãos no Paraná de 8 para 35, comparando o primeiro semestre do ano passado com o deste ano. "O que a gente tem feito é aprimorar o processo de capacitação dos profissionais e habilitar as pessoas que trabalham com as famílias", apontou. Ela disse que o grande desafio é construir equipes com perfil desses profissionais e apontou que 95% dos familiares que sabem da vontade de seus entes de doarem os órgãos autorizam a doação. "Existe um compromisso de todos os hospitais para que nenhuma possibilidade de doação deixe de ser requisitada aos familiares, para que não se desperdice essas oportunidades", afirmou.
A mãe de um doador de órgãos, Ana Márcia Costa, relatou na solenidade que não se arrepende de ter tomado a decisão de doar os órgãos de seu filho Rodrigo, que morreu no Hospital Universitário da UEL depois de sofrer um grave acidente. "Ele havia me falado que no dia em que morresse gostaria que os seus órgãos fossem doados", apontou. Ela revelou que mesmo assim enfrentou resistências na própria família. "Até hoje alguns de meus familiares descartam a possibilidade de se tornarem doadores de órgãos, mesmo tendo um caso na família", disse. Os órgãos de seu filho ajudaram pessoas que estavam na fila de espera aguardando o transplante. Foram doadas duas córneas e duas válvulas cardíacas.
"Atualmente, Londrina possui 300 pacientes na fila de espera por um transplante. São 2 mil pessoas no Paraná e 32 mil no Brasil", ressaltou Ogle Bachi. A vereadora Lenir de Assis (PT) afirmou que a lei que criou a data comemorativa visa sensibilizar as pessoas e comunicar suas famílias da intenção de doar órgãos. "Não podemos deixar isso para amanhã. Precisamos que a sociedade supere seus conceitos e preconceitos em relação à morte e que essa ação se transforme em vida", declarou.
Segundo Ogle, o Paraná é o sétimo Estado da federação em doações de órgãos. "Nós já fomos o 14º lugar. Isso significa que nós temos feito nosso dever de casa", ressaltou. A programação prevê que no próximo dia 16 haverá um seminário com o tema "Morte. Recomeço ou fim?" no auditório da Acil às 19h30. No dia 27, às 9h30, será realizada uma caminhada e corrida com o tema "Setembro Verde" no Lago Igapó 2.


