Famílias aguardam acordo na beira da estrada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de junho de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - A falta de entendimento entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o empresário cascavelense Rovílio Mascarello, proprietário da Fazenda Comil, em Diamante do Oeste, está revoltando cerca de 180 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que aguardam há nove meses, às margens da rodovia Coluna Prestes (PR-488), o desfecho das negociações.
A Fazenda Comil, alvo do impasse, conta com uma área de 3,3 mil hectares. As negociações foram iniciadas há cerca de um ano e meio, quando o empresário aceitou o pagamento de R$ 7,2 milhões. Entretanto, a demora levou Mascarello a exigir ao menos R$ 9 milhões pela propriedade, o que estaria invibializando a transferência das famílias e a transformação da área em assentamento.
As famílias chegaram a invadir a propriedade, mas receberam a garantia do Incra de que as negociações estavam no final, por isso aceitaram sair. Enquanto não surge uma solução para a questão, cresce o número de barracos de lona no local. Parte das famílias acampadas são provenientes da Cajati (Cascavel) ocupada por 1.150 famílias em maio de 1998 , e o restante, de outros acampamentos da região Oeste.
O sem-terra Adão Soares da Silva diz que outro problema a ser resolvido é o tamanho da área disponibilizada, suficiente apenas para assentar 120 famílias. Segundo ele, o ideal seria contemplar 350 famílias. Ele aponta ainda os perigos enfrentados com carros e caminhões passando entre os barracos em alta velocidade. Três crianças já foram atropeladas no local. Graças a Deus, sofreram apenas ferimentos leves, disse.
Adão conta que a subsistência das famílias no local é garantida por intermédio de renda obtida com os serviços de bóia-fria e da exploração de 25 hectares cedidos pelo empresário cascavelense, para o plantio de arroz, feijão, mandioca, batata e milho para fubá.
O empresário Rovílio Mascarello informou que a questão do valor não é responsável pela demora na conclusão das negociações. Ele afirma que o Incra está realizando uma nova avaliação na área e que sua propriedade está em primeiro lugar entre as que o Incra deverá requerer no Estado do Paraná. Em um ano e meio, o Incra não desapropriou nenhuma área em todo Estado, frisa.
O superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, foi procurado ontem pela reportagem, mas a assessoria de imprensa do Incra alegou que ele estava em uma reunião e que não poderia atender ao telefonema.


