Brasília, 24 (AE) - Diante da falta de vagas nos cemitérios do Distrito Federal, os familiares dos mortos estão sendo submetidos à dor de ter de desenterrar as ossadas de um parente para conseguir enterrar outro. Foi o que aconteceu na sexta-feira (22), quando Carmelita Rodrigues Barbosa ocupou a cova que pertencia à mãe dela, cujos ossos foram transferidos para uma gaveta. O governo teve até de aprovar uma lei, em caráter de urgência, para conseguir desafogar os cemitérios.
Segundo o secretário da Criança e do Bem-Estar Social, Gustavo Augusto Ribeiro, desde que se fundou Brasília, há quase 40 anos, não existia nenhuma regra sobre cemitérios. "A situação passou a ficar insustentável", afirma. "Era preciso uma legislação para regulamentar o setor."
O caso de Carmelita expõe uma rotina de todas os que pretendem enterrar parentes no Cemitério de Taguatinga, fechado desde 1996. "Não há mais vagas", justifica Ribeiro. Para evitar um colapso no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, o de Sobradinho foi reaberto. Mas, para enterrar alguém, é necessário que o interessado tenha algum parente de primeiro grau sepultado no local há mais de cinco anos - cuja ossada será retirada para abrir vaga.
Localizado no Plano Piloto, o Campo da Esperança, maior cemitério do Distrito Federal, conta com 1,6 milhão de metros quadrados. Entretanto, por causa da superlotação dos demais - Sobradinho, Sobradinho II, Gama, Brazlândia e Taguatinga - está recebendo mais corpos do que suportaria. "Hoje, só temos vagas suficientes para os próximos oito meses", alerta o secretário.
A previsão toma por base 1.700 sepulturas vagas e um número médio de óbitos diários de 25 pessoas. Esse número, porém
não é exato, por causa da falta de estatísticas do governo. Ninguém consegue informar também quantos estão enterrados nos seis cemitérios do Distrito Federal. "Como estamos organizando o setor, teremos de fazer um levantamento", salienta Ribeiro.
A nova e única lei que regulamenta a questão dos cemitérios em Brasília vai possibilitar a criação de crematórios públicos e estipulará prazos para exumação de corpos. "Os corpos sepultados há mais de cinco anos serão retirados para abrir novas vagas", avisa o secretário da Criança e do Bem-Estar Social.
Gustavo Augusto Ribeiro garante que a medida é adotada em quase todos os cemitérios brasileiros. Além disso, o governo do Distrito Federal pretende terceirizar os serviços fúnebres, abrindo a possibilidade de criação de cemitérios verticais a longo prazo. Apesar da deficiência nos serviços, o governo gasta R$ 700 mil mensais com a manutenção dos cemitérios. Esse valor ajuda a manter uma fábrica de caixões, um restaurante e o fornecimento de água e energia elétrica.

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