Familiares reagem com indignação
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de novembro de 1998
Agência Estado 
O julgamento durou cinco dias. A decisão dos sete jurados, anunciada pelo presidente do 2º Tribunal do Júri do Rio, juiz José Geraldo Antônio, causou indignação aos familiares das vítimas e aos promotores Júlio César Lima dos Santos e Luciano Gonçalves Lessa. Revoltados, os dois promotores recorreram da sentença imediatamente para um novo julgamento. A decisão, entretanto, não tem prazo definido.
Isso é uma indignidade, afirmou Carlos Alberto de Freitas, pai do estudante Rafael, de 16 anos, assassinado na época pelo ex-PM Gilson Nicolau. Para defender Nicolau, Andrade argumentou que na época, o então PM matou um vagabundo, referindo- se ao estudante e que, portanto, não havia participado da chacina de Vigário Geral.
A sessão foi suspensa sob os protestos de Freitas e sua mulher, Marlene, pais do estudante. Rafael era um menino e estava desarmado, protestou Freitas ao lembrar que o filho foi cruelmente assassinado com tiros na cabeça e nas costas.
Por determinação do juiz, o casal foi retirado do plenário sob veementes protestos dos promotores Lessa e Santos. Ambos chamaram de desonestos os advogados de defesa, que devolveram a acusação: Desonestos são vocês, disse Andrade.
Na defesa dos acusados, Andrade contou com depoimentos de moradores de Vigário Geral. As testemunhas de defesa afirmaram que a chacina foi praticada por volta das 23h30. Mas os dez réus apresentaram provas de que, neste horário, estavam em outros locais. Outras sete pessoas são acusadas de participar da chacina.
Os advogados de defesa querem pedir indenização ao Estado por danos morais aos réus, que ficaram presos durante dois anos e quatro meses, aguardando o julgamento.


