Familiares enfrentam PMs em busca de informações sobre presos
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quinta-feira, 08 de outubro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local
Poucas horas depois de ter anunciado o fim da rebelião na unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), na zona sul da cidade, o local voltou a ter um dia tumultuado, com uma tentativa de fuga da unidade na madrugada de ontem. Pelo menos dez presos fugiram e um foi recapturado. Durante o dia todo mães e esposas dos detentos buscavam informações e algumas relataram ter escutado gritos de presos clamando por comida e água. O auge da confusão aconteceu por volta das 20 horas, quando familiares dispararam rojões em direção aos policiais militares que montam barreira no acesso à unidade.
Os PMs dispersaram o grupo de mulheres que protestava na Rua das Costureiras, no Jardim União da Vitória, na zona Sul, com granadas de efeito moral e balas de borracha. Moradores da rua que acompanhavam os protestos receberam ordem da PM de entraram para dentro das casas. Os bares foram fechados.
A correria foi grande. Uma mulher foi atingida de raspão no braço. O grupo de familiares foi dispersado para o início do bairro. Minutos depois, houve uma tentativa de voltar para perto da barreira, mas novamente o grupo foi dispersado com tiros de bala de borracha. Os manifestantes, então, colocaram fogo novamente na rodovia João Alves de Rocha Loures. Mesmo com o confronto, os parentes dos presos da PEL 2 permaneciam na região no fim da noite de ontem. Eles tentavam aos poucos voltar mais perto da barreira.
"Foi uns meninos do bairro que atiraram contra os policiais. A gente só queria ficar ali esperando notícias dos nossos maridos. Agora a gente que a gente não tem mais informação mesmo", disse a mulher de um preso. O túmulo durou cerca de uma hora.
A movimentação do helicóptero do Grupamento Aeropolicial e Resgate Aéreo (Graer) e de viaturas da Polícia Militar (PM) ao redor da PEL 2 na madrugada de ontem indicava a tentativa de fuga. Pela manhã, a PM bloqueou a rodovia João Alves da Rocha Loures. A barreira policial foi montada a pelo menos dois quilômetros de distância do presídio, impedindo o acesso ao local.
Famílias ficaram concentradas na Rua dos Cozinheiros. A confirmação da morte do preso que foi arremessado do telhado da PEL 2 no dia da rebelião mexeu com o ânimo de quem estavam no local. A cada momento surgiam novos boatos, com número crescente de mortes, nenhum deles confirmado pelas autoridades.
Em dois momentos a PM foi obrigada a sacar armas para conter os manifestantes. Na primeira vez, por volta das 10 horas, eles impediram a passagem de um ônibus, cercando e batendo no veículo. Na segunda vez, um homem arremessou uma pedra contra uma van da PM e foi detido com firmeza por um policial.
À tarde, houve princípio de confusão quando um grupo de mulheres ameaçou furar o bloqueio da PM. Por volta das 17 horas, os familiares interromperam o trânsito na rodovia João Alves da Rocha Loures, colocando fogo em pneus, e obstruíram a passagem na Rua das Costureiras com grandes pedaços de madeira. Quando os policiais liberaram a passagem, houve um novo princípio de tumulto.
Boatos apontavam que os detentos estariam sofrendo abusos e que haveria presos mortos e feridos. Em uma ligação telefônica a qual a FOLHA teve acesso, um detento fala que uma pessoa teria morrido por desidratação e que haveria vários presos desmaiados por falta de água. "Dois ou três presos estão ligando para os parentes e dizendo que eles estão sem água e estão sendo torturados. Queremos notícias deles e que possamos ficar mais perto. De lá a gente conseguia ver o que estava acontecendo", declarou Itamara Domingues da Silva, esposa de um detento.
Outra esposa de detento, que pediu para não ser identificada, relatou que seu marido sofreu violência física durante a recondução dos presos às celas. Outra mulher, que também recebeu notícias de dentro do presídio, relatou que os presos estavam sendo obrigados a beber a água do vaso sanitário para amenizar a sede.
Um dos presos, em ligação à esposa, declarou que estava há três dias sem comer.