Quem perdeu alguém próximo em decorrência da violência praticada por menores de idade tem esperança em ver a redução da maioridade penal se tornar realidade a partir da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada ontem na CCJ. É o caso da empresária Luciney de Oliveira Souza, de 55 anos, moradora de Londrina. Há dois anos, o esposo dela, José Luiz de Souza, 53, foi morto durante um assalto na empresa da família. Sete pessoas participaram do assassinato – quatro maiores e três menores de idade. Todos já estão soltos.
Um dos adolescentes chegou a ficar internado por um ano e meio. Ainda assim, a sensação de impunidade persiste entre os familiares da vítima. Eles chegaram a encabeçar uma mobilização que alcançou mais de 100 mil assinaturas pedindo a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. "Vemos que não existe nenhum trabalho para evitar que os menores se percam na adolescência. Hoje, conseguimos ver claramente que os bandidos se fortaleceram diante da sociedade, indefesa", sustenta a viúva.
Para Luciney, ainda que a maioridade penal seja reduzida, será preciso investir em segurança pública, com a construção de unidades penais que possam abrigar toda a população carcerária. Ela acredita que os jovens infratores, ao terem condições de votar, casar ou mesmo serem pais, têm noção de seus atos, mas só vão ter consciência da gravidade do que fizeram quando forem punidos. "Acreditamos ainda na Justiça, senão, não se tem motivação para se manter cidadão de bem", opina. (A.L.)

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