Familiares de jovens pedem justiça
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de março de 1999
Agência Estado 
Os familiares e os amigos de dois dos três rapazes executados por policiais militares na Quarta-Feira de Cinzas, em São Vicente (SP), quando deixavam um baile de Carnaval, realizaram ontem uma caminhada de aproximadamente 10 quilômetros, do local onde os jovens foram espancados, em frente à Praia do Itararé, até o matagal onde os corpos foram encontrados, no último dia 4, nas proximidades do Litoral Plaza Shopping, em Praia Grande.
Os pais de Ânderson Pereira dos Santos, de 14 anos, e Paulo Roberto da Silva, 21 anos, demonstraram muita emoção ao chegar ao Sítio do Campo, uma região pantanosa, onde os corpos foram enterrados. A mãe de Thiago Passos Ferreira, 17 anos, que também foi morto com um tiro na cabeça, não compareceu. Mas um grupo de amigos e familiares do rapaz esteve presente.
A princípio, os familiares pensaram em demarcar o local, que é de difícil acesso, mas depois ponderaram com os amigos dos rapazes que seria melhor fincarem as três cruzes no matagal que margeia a Av. Ayrton Senna. Isso é para que ninguém se esqueça do crime praticado por policiais, que deveriam garantir a segurança da população e não praticar uma barbaridade dessas, justificou o pai de Paulo Roberto, o motorista Valdir da Silva.
Valdir, sua esposa Maria da Conceição, e os pais de Anderson, Vanda e Narciso dos Santos manifestavam idêntico pensamento: exigimos maior agilidade nas investigações e que os cinco policiais reconhecidos por testemunhas sejam julgados o mais depressa possível pela Justiça comum.
A mãe de Anderson lembrava que desde o dia em que tomou conhecimento do crime não conseguiu mais olhar de maneira normal para qualquer policial militar. Sinto muito ódio dos PMs e quero que eles apodreçam na cadeia. Minha vontade era fazer justiça com minhas próprias mãos. Como isso não vai ser possível, vou infernizar a vida deles, pela barbaridade que fizeram com essas crianças, disse.
Durante a caminhada, familiares dos três jovens distribuíram um manifesto denominado Chega de Polícia que Mata, no qual convidavam a população a participar de mais dois atos públicos: no dia 23, às 16 horas, uma audiência pública na Câmara Municipal de Santos, e no dia 26, às 19h30, no Sindicato dos Urbanitários de Santos, mais uma manifestação contra a violência.


