Familiares de detentos da PEL 2 voltam a fechar a PR-445
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Paulo Monteiro <br> Grupo Folha 
Indignados com a falta de informações, familiares de presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) voltaram a boquear um trecho da PR-445, no final da tarde de ontem, com pneus e tambores, na zona sul de Londrina, na saída para Curitiba. Ambos os sentidos da pista permaneciam bloqueados até o início da noite. Mães, esposas e irmãs dos detentos reclamaram da falta de notícias por parte da Polícia Militar (PM) e Departamento de Execução Penal (Depen) quanto ao estado de saúde dos parentes desde a rebelião realizada na Penitenciária, no último ia 6. Elas ameaçaram fechar todas as entradas da cidade caso nada seja feito.
"Estamos dormindo em frente à cadeia (PEL 2) desde o dia da rebelião. Já escutamos presos gritando de dor, tiros, latidas de cachorros e até hoje não sabemos se nossos familiares estão bem. Além disso, eles não têm água para beber, nem roupa e nem coberta para se proteger do frio", disse uma das manifestantes, que não quis se identificar. Ela é esposa de um preso que cumpre pena por tráfico de drogas na PEL 2.
A dona de casa Maria Aparecida Pacheco, 56 anos, relatou que está vivendo nas ruas da região sul desde o dia da rebelião. Natural de Andirá (a 118km de Londrina), ela tem um filho de 35 anos preso no PEL 2 e afirmou que não irá embora sem notícias do rapaz, que cumpre pena por roubo. "Eu não aguento mais. Estou dormindo na rua e nas casas de estranhos. É a pior dor do mundo a que estou vivendo. Não sei se meu filho está vivo, doente ou até morto", contou ela.
Mesmo drama vivido pela auxiliar de serviços gerais Jandira de Jesus, moradora da zona leste de Londrina. "Não durmo e não consigo trabalhar mais. Não consigo viver direito", explicou ela. "Concordamos que nossos filhos paguem pelo que fizeram, pois erraram, mas não nos dar notícia de como estão lá dentro nos mata aos poucos aqui fora", ressaltou Jandira, que tem um filho preso por roubo na PEL 2.
"Os protestos não têm dia e nem hora para acabar. Vamos fechar todas as entradas da cidade se nada for resolvido. Exigimos que pelo menos o pessoal do Centro de Direitos Humanos (CDH) entre na PEL 2 para avaliar a situação lá dentro. Queremos informações concretas das autoridades. Até agora nada disso aconteceu", disse outra esposa de um dos detentos, que não quis se identificar.
Devido ao protesto, uma fila de veículos se formou por vários quilômetros na PR-445, tanto na saída para Curitiba quanto em direção ao centro da cidade. Muitos motoristas se revoltaram com a situação. "Não acho justo. Acordei seis horas da manhã para trabalhar e estava já finalizando o meu turno quando me pararam aqui. Agora (18h) estou sem saber o que vai acontecer", lamentou um caminhoneiro, que pediu para não ser identificado. Por volta das 18h30, apenas um policial militar rodoviário permanecia no local. O sargento Mauro Pereira informou à reportagem que nenhum incidente havia sido registrado no local e que a situação no momento era tranquila. Por volta das 20 horas, por meio de telefonemas, a reportagem tentou ouvir a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP/PR), porém nenhuma ligação foi atendida.


