Rio, 04 (AE) - A batalha judicial dos familiares das vítimas do Bateau Mouche 4 pode estar perto do fim. Doze anos depois do naufrágio que matou 55 pessoas no reveillon de 1988, surgiu, pela primeira vez, a possibilidade de ser fechado um acordo de indenização. A pedido dos sócios da empresa Bateau Mouche Rio Turismo Ltda., o advogado das vítimas, João Tancredo, apresentou uma proposta que prevê o pagamento de indenização por danos morais, além de pensão vitalícia.
De acordo com a proposta de Tancredo, cada herdeiro das vítimas da tragédia receberia dois mil salários mínimos (R$ 302 mil) de indenização por danos morais. "Havia pessoas pedindo três mil salários mínimos e outras mil salários; fiz uma média"
explicou o advogado, que preside a Associação Bateau Mouche Nunca Mais. Além disso, seria paga uma pensão vitalícia para a família, a ser calculada de acordo com os rendimentos das pessoas que morreram no acidente. "Mas a pensão seria retroativa, teria que ser paga a contar do dia do naufrágio", disse Tancredo.
"O que eu mais quero é botar uma pedra final nesse assunto", disse hoje o empresário Bernardo Amaral, filho da atriz Yara Amaral, morta no naufrágio. "Mas não tenho muitas esperanças", acrescentou, lembrando que os sócios da empresa já sinalizaram com a possibilidade de acordo outras vezes e nunca deram uma resposta positiva. A proposta de Tancredo foi apresentada no fim do mês de fevereiro, mas, até agora, não houve resposta dos sócios do Bateau Mouche.
Durante a tarde de hoje, o advogado Luis Eduardo Marinho de Brito Chaves, que representa a empresa, foi procurado diversas vezes, mas não retornou a ligação. Até hoje, nenhuma das 33 famílias que ingressaram com ações na Justiça conseguiu receber indenização. "Todos os meus clientes aceitam a proposta do acordo", afirmou Tancredo. "Eles querem liquidar esse assunto em suas vidas".
Falência - Na última sexta-feira, a Justiça decretou a falência da agência Itatiaia Viagens e Turismo, organizadora do reveillon a bordo do Bateau Mouche 4, que também é alvo de ações indenizatórias. Tancredo afirmou, no entanto, que a decisão não prejudica o andamento das ações contra a agência. "Já prevendo isso, temos ações contra os sócios da agência, Francisco Garcia Rivero e Mírian Cid Garcia", explicou. "Seus bens estão indisponíveis e, por isso, no caso de vencermos uma ação, ela pode ser paga".
Dos nove sócios da Bateau Mouche Rio Turismo Ltda., apenas dois foram condenados em processo criminal pelo naufrágio: álvaro Pereira da Costa, que está foragido em Portugal, e Faustino Puertas Vidal, que vive na Espanha. Outro sócio da empresa, Avelino Fernandez Rivera, responde à processo por sonegação fiscal e também vive na Espanha. Os pedidos de extradição de Rivera e Vidal estão sendo estudados pela Justiça espanhola. A Justiça brasileira entendeu que apenas Costa e Vidal foram responsáveis pelo naufrágio porque eram os únicos presentes no cais na noite do naufrágio. Os demais sócios foram absolvidos.
O Bateau Mouche 4 naufragou dez minutos antes da meia-noite de 31 de dezembro de 1988. Na época, a superlotação e o grande número de móveis pesados foram apontados como as principais causas do acidente. Entre as vítimas estavam a atriz Yara Amaral e a mulher do ex-ministro Aníbal Teixeira, Maria José Andrade de Souza, além de empresários e turistas.

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