Curitiba - Ainda não há uma data definida para que o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri decida se a médica Virgínia de Souza Soares e os demais acusados no processo que investiga a suposta antecipação de mortes na UTI do Hospital Evangélico decida se os denunciados vão a júri. A situação torna ainda mais angustiante a situação de familiares de pacientes que estiveram internados na instituição. Eles cobram agilidade e aguardam uma solução para o caso.
Desde setembro do ano passado, durante as primeiras audiências de instrução das testemunhas de acusação, parentes de pacientes fizeram diversos protestos cobrando punição aos denunciados. Elas não se conheciam, mas compartilharam suas histórias e organizaram em uma rede social para formar o grupo "Parentes na UTI do Evangélico".
"Queremos justiça. Nosso pai não volta mais, e nós não podemos deixar esta história ser esquecida. Por isso cobramos e continuamos acompanhando o processo. Nos mobilizamos pelas redes sociais para reunir parentes de vítimas e para cobrar uma decisão sobre o caso", destaca Ínima Lopes.
Ela e a irmã, Idarli Lopes, sempre participaram das manifestações. Em 2 de novembro, Dia de Finados, o grupo protestou na frente de alguns cemitérios de Curitiba. Elas acreditam que o pai, Florêncio Odilon Pereira, de 78 anos, teve a morte antecipada. O caso dele, no entanto, não faz parte dos sete primeiros que estão incluídos na denúncia feita pelo MPPR.
Segundo elas, o pai entrou na instituição no dia 1º de setembro de 2012 e morreu no dia 14, na UTI Geral.
"O que queremos é que o caso venha a júri popular", aponta Idarli. Conforme ela, o pai ficou internado na UTI após sofrer uma convulsão. Ela acredita que o coquetel de medicamentos o levou à morte. Segundo a denúncia do MPPR, aplicava-se um coquetel de medicamentos sedativos associados a um curarizante (medicamento que paralisa os músculos, inclusive os responsáveis pela respiração), geralmente o Pavulon, e os parâmetros do respirador eram então diminuídos. Com isso, se provocava a diminuição da oxigenação do paciente e – tecnicamente – a morte se dava por asfixia. "Só fico pensando que se não fossem os procedimentos adotados pela médica e sua equipe ele estaria vivo. Muitas outras pessoas sentem o mesmo pelos parentes", completa.
Segundo Ínima, Florêncio sofreu alguns Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), mas ressaltou que ele se recuperava bem porque tinha hábitos de vida saudáveis. Em 2011, a família descobriu que ele tinha um forame oval (pequeno orifício localizado no meio da parede de músculo que divide os dois átrios no coração), que seria a causa dos AVCs. O paciente passou por um cateterismo e a família foi avisada de que ele poderia vir a sofrer convulsões. Entretanto, apontou Ínima, o médico avisou que um medicamento seria suficiente para que ele se recuperasse.
"Ele já tinha sido atendido outras duas vezes no Evangélico e tinha sido liberado após tomar a medicação. Então não entendemos quando na terceira vez ele foi entubado, levado para a sala de cirurgia e ninguém nos falou nada. Só fomos encontrá-lo quando ele já estava na UTI, e tinha passado por uma traqueostomia. Não entendemos porque fizeram isso se ele só precisava se recuperar de uma convulsão", lembra Ínima.
"Estamos acompanhando tudo e nos mantemos otimistas, acreditamos que um caso dessa dimensão não pode ficar impune", finaliza Idarli. (R.C.J.)

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