Familiares buscam justiça para mortos em confrontos


Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

Cinco mães e esposas de homens mortos em supostos confrontos com agentes de segurança estiveram nesta terça-feira (12) na Corregedoria da Polícia Militar de Londrina para formalizar denúncias para cobrar apuração das mortes. A medida representa mais um passo após protesto feito na zona norte de Londrina neste domingo (10). Na sequência, haverá reuniões no Ministério Público.   

Jéssica Carvalho cobra celeridade no inquérito que apura a morte do marido
Jéssica Carvalho cobra celeridade no inquérito que apura a morte do marido | Marcos Zanutto
 


A cabeleireira Ana Paula da Silva estaria comemorando o aniversário de 21 anos do filho morto há três anos em Guaratuba (Litoral). No entanto, resolveu comparecer ao Fórum para apoiar outras mães e acabou realizando nova denúncia.  De acordo com ela, o filho passou a ser perseguido após a chacina que deixou 12 mortos em Londrina em janeiro de 2016. “Eles abordaram meu filho e falaram ‘lembranças de Londrina’,. Ele foi executado e tem testemunhas”, lamentou.  




Questionada, a mãe confirmou que o jovem já havia sido apreendido por desacato a autoridade e repasse de notas de dinheiro falsificadas. “Eu não estou aqui para falar que meu filho era um santo, mas ele não atirou contra a polícia. Tinha tiros ‘de defesa’ nos braços tampando o rosto. Não somos contra a polícia decente, que dá a vida pela vida do outro, mas existe uma turma aqui que está para executar e depois rir da nossa cara”, lamentou. 

Jéssica Carvalho cobra celeridade no inquérito que apura a morte do marido
Jéssica Carvalho cobra celeridade no inquérito que apura a morte do marido | Marcos Zanutto
 


Ao lado dela, a cuidadora de idosos e estudante de enfermagem Jéssica Carvalho estava protocolando prints e áudios de WhatsApp que comprovariam as ameaças que o marido, Washington Ricardo de Souza, 29, estaria sofrendo antes de ser morto com 14 tiros em junho deste ano. Os familiares não acreditam que ele teria sacado uma arma ao ser abordado na rua Ermilino Nonino, no Jardim Antares (zona leste), aos olhos de moradores que teriam sido ordenados pelos policiais a entrar em casa, segundo Carvalho. “Já tem um inquérito aberto, três policiais estão sendo indiciados. Que isso acabe o mais rápido possível”, destacou.   


De acordo com o coordenador do Movimento Nacional dos Direitos Humanos em Londrina, Carlos Henrique Santana, nos últimos dez meses 35 pessoas foram mortas na cidade em situações relatadas como confrontos. 

 

A maioria das denúncias acaba sendo encaminhada para o respectivo batalhão da Polícia Militar em que o policial denunciado atua. No caso da corregedoria sediada em Londrina, a área de abrangência inclui, também, batalhões de Apucarana, Rolândia, Jacarezinho, Cornélio Procópio, Ivaiporã e Arapongas.  


Questionado pela reportagem, o major Edivaldo Santos, à frente da Corregedoria da PM em Londrina, negou que os policiais sofram “pressão” por parte dos que estão sendo investigados.  “Por uma questão de legislação, a maioria das vezes não podemos tirar o poder disciplinar investigativo do próprio batalhão. Alguns casos em que a pessoa se sente com medo ou lesada, aí sim nós fazemos uma vocação do trabalho que o batalhão não fez ou nós mesmos o fazemos em casos de maior complexidade”, explicou.


Já o tenente Emerson Castro da 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, salientou que em toda a situação que envolve o emprego de arma de fogo, imediatamente são acionados o Instituto de Criminalística, a Polícia Civil e a Corregedoria. "As testemunhas são ouvidas e os documentos são enviados ao Ministério Público, tudo com transparência. Muitas vezes as pessoas estão supondo uma ilegalidade, mas com base no quê? É um direito delas, os familiares podem vir até a ser ouvidos no inquérito”, lembra Castro.


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