Família vai acionar Estado pela morte de universitário
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sábado, 31 de maio de 1997
Leandro Donatti, de Curitiba 
Kraw PenasContra a impunidadeInconformados com a morte do filho, Elizabetha e Cesar Zanella preparam protesto hoje em Santa FelicidadeA família do universitário Rafael Rodrigo Zanella, morto com um tiro na cabeça durante uma ação policial na noite da última quarta-feira, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, vai entrar na Justiça contra o governo do Estado para pedir uma indenização. O advogado contratado pelos pais do rapaz, Júlio Militão, não sabe dizer ainda o valor pecuniário que será exigido como compensação pela morte do estudante. O governo é responsável por todos os atos de seus prepostos. Houve uma ação irregular da Polícia Civil que precisa ser ressarcida, já que não podemos trazer o menino de volta, defende.
Militão aponta uma série de impropriedades no flagrante delito promovido pelos agentes Reinaldo Siduaski e Airton Adonski na ação de quarta-feira. Houve uma simulação de flagrante, o que não justifica que os outros continuem presos, observa o advogado referindo-se aos três rapazes que estavam na companhia do estudante e que até ontem continuavam presos por ordem do delegado do 12º Distrito de Polícia, Maurício Bittencort Fowler.
O advogado da família Zanella acusa a Polícia de ter forjado o flagrante. Fabiana Luiza Maluta e Ana Paula Carrara foram usadas como iscas pelo investigador Airton para prender os supostos delinquentes, assinala. Militão coloca ainda em suspeição um dos peritos designados pelo 12º D.P. - Jorge Bressan - para constatar se o material supostamente apreendido no carro dos rapazes era maconha. Ele lembra que o agente Airton cita Bressan como um dos presentes na ação policial. Bressan não poderia ter sido chamado para dar o laudo, avalia.
ProtestoRevoltados, Elizabetha e Cesar Zanella organizam hoje às 11 horas, em frente à igreja matriz de Santa Felicidade, um protesto contra a morte do filho. Na oportunidade, amigos e vizinhos da família distribuem cartazes e panfletos condenando a ação policial que matou o estudante, mas que prendeu seu amigo Wilson Gevard Junior, mais conhecido como Camarão e acusado pela Polícia de tráfico de drogas.
Executaram meu filho friamente, sem nenhuma chance de defesa, lamenta a mãe. Segundo ela e a namorada do rapaz, Renata Tortato, Rafael não usava arma, não sabia atirar, nem consumia ou comercializava qualquer tipo de droga. Quero fazer um apelo para o novo delegado geral Arthur Braga que veja como a Polícia está tratando os nossos jovens, apelou o pai.
A Folha tentou ouvir o delegado Maurício Bittencourt Fowler, do 12º D.P. ontem para contrapor as acusações feitas pelo advogado Júlio Militão, mas não foi possível. Segundo um dos policiais que estavam de plantão, o delegado só vai falar sobre o caso amanhã.


