''Conforme a doença vai evoluindo, vão surgindo fatos novos e a gente tem que se adaptar a eles''. É assim que a professora aposentada Aparecida de Souza Faria Silva, de 58 anos, define sua função de cuidadora da mãe Maria de Souza Faria, de 79 anos, que sofre de Alzheimer - atividade que é dividida com os irmãos.
Os primeiros sinais da doença apareceram há 16 anos, com pequenos esquecimentos, como guardar objetos em locais inadequados. Segundo a filha, a doença evoluiu rápido e a família teve que ir se adaptando. ''Hoje, ela precisa de cuidados 24 horas, para se alimentar, trocar de roupa, tomar banho'', conta.
Antes, ela e os irmãos se revezavam nos cuidados com a mãe aos finais de semana, mas hoje, Dona Maria não tem mais vontade de sair de casa, e tem dificuldade de caminhar. Por isso, há dois meses, além da pessoa que fica com ela durante a semana, contrataram mais um cuidador para os finais de semana. ''Eu e meus irmãos dividimos as despesas, se não fosse assim não haveria condição de manter esse cuidados. Toda a família tem que se envolver, para não sobrecarregar ninguém. Aqui a solidariedade é mútua, mas e a família que não tem?'', questiona.
Maria de Lourdes Tofano, de 57 anos, vive situação parecida com a mãe Helena da Silva Tofano, de 83 anos, que também sofre de Alzheimer. No caso dela, a evolução foi bastante lenta, o que não dispensa a necessidade de cuidados. ''Hoje ela precisa de alguém junto 24 horas por dia'', conta a filha, que tem duas pessoas, uma durante a semana e outra aos sábados e domingos, para ajudar a cuidar da mãe. ''Sou muito grata com a vida por ter condições de manter essa estrutura. É claro que tem hora que é estressante. Mas, ao mesmo tempo, ela não tem culpa de ter a doença'', diz. (C.P.)

mockup