manágua, 12 (AE-REUTERS) - Gustavo Javier Somoza, cujo pai, tio e avó governaram a Nicarágua por quase cinco décadas, anunciou hoje (12) a formação de um novo partido político, 20 anos depois da revolução sandinista que derrubou a ditadura familiar.
"Sou o filho, orgulhosamente, de Luis Somoza Debayle. Tenho o sangue", declarou o jovem Somoza diante de centenas de partidários. Seu avô, o general Anastasio Somoza García, foi o patriarca da dinastia.
O partido, batizado de Força Democrática Nacionalista (FDN), deve ainda ser legalizado para poder apresentar candidatos à presidência nas eleições de 2001 e nos pleitos municipais anteriores.
O ressurgimento da família Somoza é um exemplo surpreendente de como os ventos políticos podem mudar. O ato de hoje teria passado desapercebido há poucos anos, quando quase ninguém na Nicarágua declarava seu apoio à família.
Entretanto, a nostalgia pelos Somoza cresceu nos anos de profunda pobreza que se seguiram à derrubada do regime militar.
"Com Somoza, a situação era melhor", disse à Reuters Carmen Grijalba, simpatizante da família.
O panorama ideológico na Nicarágua continua totalmente polarizado entre a esquerda e a direita.
A Frente Sandinista é o principal partido de oposição ao governo liberal do presidente Arnoldo Alemán. Os sandinistas utilizam o termo "somocista" como um epíteto político contra o presidente direitista.
A postura antisandinista da nova organização política ficou muita clara hoje.
A Somoza uniu-se Enrique Quiñonez, ex-dirigente das forças Contras, apoiadas pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, que combateram o regime sandinista na década de 80.
Até a sigla é igual à utilizada pelos rebeldes Contras, conconhecidos como a Força Democrática Nicaraguense.

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