Registro, SP, 05 (AE) - A família do aposentado Leonides Décio Teixeira, de 60 anos, morto por causas naturais, está há 15 dias esperando que o Instituto Médico Legal (IML) de Registro
no Vale do Ribeira, libere seu corpo para o sepultamento. A demora tem uma razão no mínimo insólita: o defunto simplesmente desapareceu e ninguém sabe seu paradeiro. Teixeira foi encontrado morto no dia 21 de março, na casa onde morava sozinho
em Cananéia, no litoral sul do Estado de São Paulo. Os parentes chamaram a polícia e um carro do IML de Registro levou o corpo para fazer a verificação da causa da morte, cumprindo uma formalidade legal.
Quando a família foi buscar o morto para o sepultamento, os funcionários não conseguiram encontrá-lo. "A princípio, quiseram entregar-nos o corpo de uma pessoa que foi vítima de afogamento", contou o autônomo Rubens Benedito Groba, de São Paulo, sobrinho do falecido. Com a recusa dos familiares em aceitar o corpo errado, a administração do IML passou a informar que poderia ter havido uma troca de corpos. Segundo o funcionário Clodoaldo Carneiro, Teixeira teria sido levado por engano pela família de Edward Cosme Leite, de 44 anos, para Sorocaba, no interior. Leite havia desaparecido dia 08 de março, no naufrágio de um barco, em Iguape, e seu corpo fora encontrado também no dia 21, próximo da Ilha do Cardoso, em Cananéia, em estado de decomposição.
Os dois corpos permaneceram no IML de um dia para o outro, aguardando a identificação pelos familiares. Segundo Carneiro, os parentes do afogado teriam reconhecido e levado o corpo errado. O morto, transportado pela funerária Ossel, foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério da Saudade, em Sorocaba. O delegado de Cananéia, Válter Bávaro, também acredita nessa versão. Tanto que requereu hoje à Justiça da Comarca a exumação do corpo que está em Sorocaba. A autorização para a retirada dos restos mortais deve sair esta semana. Os familiares de Edward Cosme Leite têm certeza de que é dele o corpo enterrado em Sorocaba. "Morei com ele 18 anos, como eu poderia me enganar?"
disse a viúva Sueli Fátima Leite.
Ela contou que no dia seguinte ao sepultamento recebeu um telefonema do IML de Registro alegando a troca de corpos. "Voltei lá e me mostraram um corpo mutilado, já em decomposição
mas muito diferente do meu marido". Ela está convencida de que Edward está no cemitério de Sorocaba e considera o caso encerrado. O vendedor Leopoldo Rodrigues D¶ngelo, genro de Edward, disse que o erro foi de funcionários do IML. "Perderam o corpo do outro falecido e querem responsabilizar nossa família", reclamou. Segundo ele, o IML vem se negando a liberar documentos do falecido. A família pretende acionar o órgão por danos morais.
Rubens Groba, o sobrinho de Teixeira, considera absurda a situação que sua família está vivendo. A mãe do falecido, dona Rosa Teixeira, tem 87 anos e ainda não foi informada do ocorrido. "É seu único filho, como vamos contar uma história dessas para ela?", questionou. Ele disse que a sepultura aberta no cemitério de Cananéia, onde seria feito o enterro, continua à espera do corpo. Hoje, Groba registrou um Boletim de Ocorrência numa delegacia da capital dando conta do sumiço do corpo. "Alguém tem que ser responsabilizado por isso", disse.
O diretor do IML, Maurício Aparecido Marcelino, confirmou a versão da troca de corpos. O que continua no IML seria o do homem afogado. Ele disse que espera a exumação do corpo enterrado em Sorocaba para o esclarecimento dos fatos. A identificação dos corpos poderá ser feita através de exames de DNA.

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